#1 Xiuhtezcatl Martinez

 

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Tema: Clima
País: Estados Unidos da América

Idade: 20 anos

A greve estudantil pelo clima começou com Greta Thunberg e um cartaz, em agosto de 2018. Durante os meses que se seguiram, milhões de estudantes e simpatizantes da causa saíram à rua, solidarizando-se com a mensagem do movimento. Anos antes, em junho de 2015, o adolescente americano Xiuhtezcatl Martinez, então com 15 anos, discursava perante as Nações Unidas, alertando para a necessidade de “ação imediata” relativamente às alterações climáticas:O que está em causa, agora mesmo”, realçou o jovem, “é a existência da minha geração”.  

 

 

Xiuhtezcatl Martinez em 2016, com 16 anos, fala sobre a emergência climática

 

Desde 2014, Xiuhtezcatl é um dos diretores do projeto Earth Guardians (Guardiões da Terra) – uma plataforma internacional que se define como um conjunto de “ativistas, artistas e músicos de todo o Mundo” com o objetivo comum de “colaborar para defender o nosso planeta”. De acordo com o site do projeto, existem equipas locais em 61 países, num total de 450 campanhas de ação direta que chegaram a um total de 54 milhões de pessoas

A organização ganhou notoriedade em 2015, quando 21 dos seus membros processaram o governo federal dos Estados Unidos da América, “exigindo mais esforços no que diz respeito à mudança climática”. A música é uma parte importante da ação deste adolescente: juntamente com o seu irmão (Itzcuauhtli Martinez) forma a dupla de hiphopEarth Guardians”. O seu primeiro álbum – Generation Ryseassume como objetivo “emancipar a juventude para uma Terra sustentável”.  


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#2 Amika George

 

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Tema: Saúde
País: Reino Unido
Idade: 21 anos

Em abril de 2017, a adolescente Amika George leu um estudo que revelava que, no Reino Unido, 1 em cada 10 jovens mulheres não tinha acesso a produtos de higiene menstrual – um fenómeno conhecido como period poverty (pobreza menstrual, numa tradução à letra). “Ainda há raparigas a faltar à Escola devido este fenómeno”, escreveu Amika George, no início de 2019, numa coluna de opinião que assina no The Guardian

Foi por essa razão que Amika decidiu começar o projeto #FreePeriods. Inicialmente, o objetivo passava por angariar 10 assinaturas numa petição para entregar à então primeira-ministra britânica Theresa May. Passadas algumas semanas, havia 2000 signatários da petição. Depois de um ano, o número de assinaturas aproximava-se dos 200 mil.  

 

TED Talk de Amika George sobre "Period Poverty"

 

Distinguida em 2018 pela revista Time como uma das 25 adolescentes mais influentes do Mundo, Amika George continua a dinamizar a #FreePeriods, pressionando o governo britânico a implementar uma solução permanente (distribuindo tampões e pensos gratuitamente nas escolas). 

Em 2018, o governo britânico aplicou cerca de 1.700.000€ para este objetivo. Um número que Amika disse na altura “não ser suficiente", sublinhando, em entrevista ao jornal Evening Standart: “Precisamos de normalizar as conversas sobre menstruação, temos de aceitar os nossos períodos e de perceber que os nossos corpos devem ser celebrados por todas as coisas maravilhosas que fazem”.  



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#3 Gitanjali Rao 

 

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Tema: Tecnologia
País: Estados Unidos da América
Idade: 15 anos

Aos 15 anos, Gitanjali Rao foi eleita "Criança do Ano" pela revista Time. Em apenas década e meia de vida, a estudante norte-americana já acumulou vários feitos e invenções que lhe valeram esta distinção. Para além de uma tecnologia que identifica água potável contaminada, também criou uma aplicação que deteta ciberbullying, por exemplo.

A tecnologia que deteta a quantidade de chumbo presente na água através de uma aplicação foi inventada por Gitanjali Rao aos 12 anos, em 2017, e valeu-lhe o prémio internacional "2017 Young Scientist".



 

A edição da Time inclui uma entrevista conduzida pela atriz e realizadora Angelina Jolie. Nela, Gitanjali destaca o seu principal objetivo como procurar a felicidade dos outros, realçando como não enquadra no perfil típico de cientista: "Tudo o que vejo na televisão são cientistas mais velho e habitualmente brancos".

Para além do seu foco na tecnologia e criação de soluções, a estudante diz que o seu objetivo é agora também "inspirar os outros a fazer o mesmo". "Se eu o fiz, tu também podes fazer e qualquer pessoa pode fazer", reforçou.


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#4 Muzoon
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Tema: Educação
País: Síria
Idade: 21 anos

Em 2014, Malala Yousafzai tornou-se a pessoa mais jovem de sempre a receber um prémio Nobel. A paquistanesa, então com 17 anos, foi distinguida pela sua defesa do direito universal de todas as crianças à Educação. A jovem síria Muzoon Almellehan tem sido apelidada de “Malala da Síria”, pelo seu esforço de garantir que as raparigas do seu país continuam os seus estudos.  

Depois do início da Guerra Civil Síria, em 2011, Muzoon e a sua família viveram em campos de refugiados até integrar um plano de acolhimento britânico de refugiados, em 2015. A partir do Reino Unido, Muzoon continuou a campanha pela garantia do acesso das raparigas à Educação. Em 2017, tornou-se a mais jovem Embaixadora do Fundo para Crianças das Nações Unidas. 

 

 

 

 

 

Num dos campos de refugiados em que viveu, conta Muzoon ao The Guardian, a jovem conheceu mesmo Malala que, entretanto, já a visitou. “Foi o momento mais feliz da minha vida saber que a Muzoon estava cá [no Reino-Unido]”, contou Malala à BBC, deixando uma garantia. “Agora, podemos trabalhar juntas”.  

Para Muzoon, a Educação é “a melhor forma de proteção”. E também de garantir um futuro melhor: “Precisamos da Educação porque a Síria precisa de nós. Precisa de engenheiros, de professores, de médicos e de jornalistas. Sem nós, quem trará a paz? Partilho a mensagem com a minha amiga Malala: Educação é poder. Educação é o futuro. Educação torna-nos naquilo que desejamos ser”. 


 

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#5 Marley Dias

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Tema: Representação racial
País: Estados Unidos da América
Idade: 16 anos

Em novembro de 2015, com apenas 11 anos, a norte-americana Marley Dias lançou a campanha #1000BlackGirlBooks, depois de se aperceber que os protagonistas das histórias que lia eram sobretudo rapazes brancos. O objetivo passa por compilar 1000 livros em que mulheres negras são protagonistas, que seriam depois enviados para a escola onde a sua mãe estudou, na Jamaica.

"Não escolhi a minha escola porque percebi que mesmo em espaços como a Jamaica, compostos maioritariamente por pessoas negras, as pessoas não se encontram a si mesmas nas histórias", explicou Marley Dias ao The Guardian. Desde então, a meta de 1000 livros foi em muito ultrapassada. Em 2019, contavam-se já 12.000 livros nesta lista. 

 

 

Em 2019, Marley passou ela própria a ser uma autora publicada, aos 14 anos, com o lançamento do seu livro Marley Dias Gets it Done: And So Can You!. A obra propõe-se a ser um "guia para uma jovem ativista", integrando histórias e conselhos, bem como destacando a importância da leitura para os jovens. Em 2020, Dias foi escolhida como apresentadora da série da Netflix Bookmarks.

Depois de discursos em eventos na Casa Branca e nas Nações Unidas, Marley Dias (que tem ascendência cabo-verdiana) foi destacada pela revista Forbes como uma das 30 jovens com menos de 30 anos a acompanhar no futuro. "A presenta falta de diversidade na literatura infantil tem más consequências para todos", destacou, durante um evento em 2019.

 

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#6 Karolína Farská

 

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Tema: Corrupção
País: Eslováquia
Idade: 21 anos

Em abril de 2018, os estudantes eslovacos Karolína Farská e David Straka decidiram criar um movimento anticorrupção. A primeira ação consistiu numa marcha que cruzou as ruas da capital Bratislava até ao palácio presidencial. Os organizadores esperavam 200 pessoas, conta o The New York Times. Mais de 10 mil juntaram-se à manifestação. 

Em parte, o fenómeno pode ser explicado por acontecimentos trágicos registados em 2018, com os homicídios do jornalista de investigação Ján Kuciak e da sua noiva, Martina Kusnirova, ambos de 27 anos. Estes crimes chocaram o país, levando mesmo à demissão do primeiro-ministro, Robert Fico. De acordo com a BBC, Ján Kuciak estava a trabalhar numa história sobre corrupção nas altas esferas políticas eslovacas, quando foi assassinado, em fevereiro de 2018.

No início, conta Karolína ao portal Huck, “as pessoas diziam-nos que erámos muito inocentes, diziam-nos, ‘não vais conseguir mudar nada, vai estudar´”. Contudo, à medida as seguintes marchas aumentavam em número de participantes, o contexto mudou – 65 mil pessoas chegaram a marchar em conjunto pelas ruas de Bratislava. Nos anos seguintes, Karolína Farská realizou encontros e viagens, com o objetivo de inspirar outros estudantes: “As pessoas perceberam que têm poder, não se resume a votar de quatro em quatro anos”.  

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#7 Muhammad Najem

 

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Tema: Paz
País: Síria
Idade: 21 anos

Num vídeo publicado em 2018, Muhammad Najem limita-se a olhar para a câmara durante quase dois minutos. Atrás de si, uma coluna de fumo resultante de um bombardeamento aéreo ergue-se sobre a cidade de Ghouta, na Síria. Durante os meses que se seguiram, o jovem sírio de 16 anos partilhou vários vídeos e selfies que mostram a destruição resultante da Guerra Civil Síria. 

Os vídeos têm valido a Muhammad Najem o nome de “Pequeno Jornalista”, sendo que o próprio já revelou o seu desejo de o ser, no futuro. Contudo, destaca o especialista Jonathan Alpeyrie (que cobriu o conflito e chegou a ser capturado durante 81 dias), há uma diferença importante entre o trabalho jornalístico e este tipo de partilha, “mais próxima do ativismo” – as posições políticas assumidas pelo jovem durante os vídeos, bem como a dificuldade de confirmar a origem exata dos mesmos são alguns dos problemas.

Independentemente do seu valor jornalístico, as partilhas têm evidenciado o impacto da guerra no terreno e nas populações locais, sendo que o trabalho de Muhammad foi apontando como “legítimo” por ativistas no terreno. As imagens e vídeos impressionam, recorda a France 24, não só pelo facto de Najem ser um jovem, mas também pelo contraste entre o tema da guerra e o formato selfie

Em 2019, Najem saiu da Síria, obtendo o estatuto de refugiado na Turquia. À Columbia Journalism Review, diz querer voltar à Síria onde sente que “tinha um propósito”: “Tudo o que quero é que o meu país volte a ter paz. E tudo o que queria era mostrar ao Mundo o que estava a acontecer”.  



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#8 Emma Gonzalez

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Tema: Controlo de armas
País: Estados Unidos da América
Idade: 21 anos

A 14 de fevereiro de 2018, um atirador atacou os estudantes de uma escola secundária em Parkland, na Florida, assassinando 17 pessoas e ferindo outras 17. Emma Gonzalez foi uma das estudantes que sobreviveu. Depois desse momento, cofundou um grupo pela defesa do controlo de armas nos Estados Unidos da América – o Never Again [Nunca Mais]. “Esta é a minha forma de lidar com a perda”, contou ao The New York Times

Meros dias depois do massacre, Emma Gonzalez fez um discurso emocionado, pedindo a implementação de legislação de segurança para armas de fogo e criticando a defesa do sistema existente. “Dizem que um homem mau com uma arma só pode ser parado com um homem bom com uma arma? Nós dizemos que isso é treta”, realçou Gonzalez, acrescentando: “Podem fazer caricaturas dos adolescentes de hoje, como se fossemos meramente obcecados com nós mesmos ou pelas tendências. Nós estamos preparados para dizer o que é uma treta”.  

 

 

Desde então, Emma Gonzalez tem realizado intervenções públicas espalhando esta mensagem, à semelhança de outros adolescentes ativistas como Zion Kelly. Em março de 2018, teve uma das suas intervenções mais poderosas. Depois de algumas palavras, chorou em silêncio durante vários minutos. O objetivo era mostrar a rapidez com que o atirador, munido de uma arma semiautomática, cumpriu o ataque: 6 minutos e 20 segundos.  



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#9 Payal
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Tema: Direitos das crianças
País: Índia
Idade: 19 anos

Numa pequena aldeia do Rajastão – um dos estados do norte da Índia – existe um Parlamento Infantil, que procura trabalhar para garantir os direitos das crianças locais. Payal Jangid, de 19 anos, é a líder desse parlamento, trabalhando juntamente com adultos, na tentativa de acabar com fenómenos como o trabalho infantil e o casamento infantil.  

Em outubro, Payal recebeu o Prémio Changemaker, atribuído pela Fudnação Gates. À revista People, contou que tinha 11 anos quando descobriu que os seus pais tinham casamentos arranjados para ela e para a sua irmã. “Com a ajuda de ativistas locais, conta, “levantei a voz contra essa decisão”, fazendo com que esses acordos fossem anulados. 

Desde então, a adolescente tem trabalhado para garantir que outras crianças da sua aldeia têm a mesma oportunidade. Em locais como esse, realça, a população segue tradições muito antigas, pelo que “muito do trabalho está na educação e em fazer as pessoas conhecer os seus direitos”. Um trabalho que também é realizado pela rapper afegã Sonita Alizadeh.

Em 2015, Barack e Michelle Obama encontraram-se com Payal, durante uma visita de estado à Índia. Durante a cerimónia, então com 14 anos, Payal descreveu a base do seu trabalho: “Visitamos crianças, nas suas casas, e explicamos aos pais porque é que a Escola é importante. Também lhes dizemos para não baterem nas mulheres e crianças. Caso se comportem de uma forma carinhosa, a vida será melhor para todos”. 



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#10 Jazz Jennings 

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Tema: Afirmação LGBTQ+
País: Estados Unidos da América
Idade: 20 anos

Aos cinco anos, Jazz Jennings foi diagnosticada como sofrendo de Disforia de Género – uma condição que, segundo a Direção-Geral de Saúde portuguesa, se caracteriza pelo “desconforto e angústia persistentes causados pela discrepância existente entre a identidade de género de uma pessoa e o sexo que lhe foi atribuído à nascença”.  

Identificada como rapaz à nascença, rapidamente se assumiu como mulher. Numa reportagem de 2007, a ABC conta a forma como os pais de Jazz (então com 6 anos) salientavam, com alguma surpresa, que não se tratava de uma fase”. “Uma fase é uma fase porque acaba. Mas isto não está a acabar, apenas está a ficar mais forte”, explicava Renee Jennigns

Aos 11 anos, Jazz contaria a sua história numa entrevista televisiva e, pouco tempo depois, partilhava o seu dia a dia no seu canal do YouTube I Am Jazz (que resultaria numa série da TLC com, até ao momento, quatro temporadas). Criou também, juntamente com os pais, a Fundação Transkids Purple Rainbow Foundation de forma a apoiar e orientar outras crianças transexuais e as suas famílias. O seu impacto foi resumido pelo Hufftington Post da seguinte forma: “Jazz Jennings, a adolescente transexual que está a mudar o Mundo”.  

Em 2019, aos 18 anos, Jennings fez uma cirurgia de mudança de sexo. “Não há nada mais depois disto. Apenas posso ser eu mesma”, revelou.