Quais as razões que levam a que edição de 2026 do evento "7 Dias com os Media" destaque o tema do impacto dos algoritmos e das bolhas digitais?
Vivemos num contexto cada vez mais mediado por algoritmos e redes digitais que filtram, orientam e podem influenciar aquilo que vemos, lemos e partilhamos. Muitas vezes, sem nos apercebermos. Esses mecanismos podem aproximar-nos, mas também podem criar as chamadas “bolhas digitais”, onde contactamos sobretudo com ideias semelhantes às nossas, dificultando o acesso à diversidade e ao pluralismo de visões existentes. Colocar em evidência esta temática pode-nos permitir contribuir para uma reflexão aberta e alargada sobre fenómenos como os discursos de ódio online, a misoginia e outras formas de discriminação. O tema desta edição convida diferentes públicos, com experiências muito distintas do digital, a refletirem sobre o papel dos algoritmos e das redes nas suas vidas e na sociedade. É também um convite a sair das bolhas e a promover uma participação mais consciente, crítica e informada.
Quais são algumas das consequências reais que estas bolhas digitais podem trazer à vida dos jovens?
Podem ter impactos muito concretos na vida dos jovens, desde logo, porque uma parte significativa do seu contacto com a informação, com os outros e com o mundo acontece hoje em ambientes digitais. Aquilo que observamos é que os algoritmos e as dinâmicas das redes podem influenciar a forma como os jovens constroem a sua perceção da realidade. Quando o acesso à informação é mediado por lógicas que tendem a reforçar preferências, há o risco de contacto mais limitado com a diversidade de perspetivas, o que pode ter efeitos na forma como se formam opiniões e se participa no espaço público. Por outro lado, há também dimensões relacionadas com o bem-estar e com as relações interpessoais, desde a exposição a conteúdos potencialmente nocivos – como desinformação ou discursos de ódio – até à pressão social associada a determinados padrões e formas de presença online. É importante sublinhar que este não é um cenário exclusivamente negativo. As mesmas plataformas também oferecem oportunidades relevantes de participação, expressão e acesso ao conhecimento. É por isso que o nosso foco tem estado sobretudo na sensibilização e na capacitação dos públicos.
«Quando o acesso à informação é mediado por lógicas que tendem a reforçar preferências, há o risco de contacto mais limitado com a diversidade de perspetivas»
Que boas-práticas podem ser importantes para que os jovens se possam proteger desses efeitos?
Aquilo que procuramos sempre evitar são leituras simplistas. Os ambientes digitais, à partida, não são nem “bons” nem “maus” por si só. Ainda assim, há um conjunto de práticas que podem ajudar os jovens. É fundamental desenvolvermos competências digitais. Competências de acesso, obviamente, mas sobretudo de análise – a capacidade de avaliar e distinguir os conteúdos que consumimos, de compreender como funcionam as plataformas e os seus algoritmos, bem como as políticas das empresas a que pertencem. Quanto mais capacitados estivermos, mais preparados estaremos para fazer escolhas informadas. Entre as boas práticas, destacaria o desenvolvimento de uma atitude crítica perante os conteúdos, a procura de fontes e perspetivas diversas e a consciência de que aquilo que vemos online é frequentemente filtrado. Mas há também uma dimensão essencial: a forma como estamos online deve respeitar os direitos e a dignidade dos outros.
De que forma é que, em 2026, a iniciativa 7 Dias com os Media 2026 vai trabalhar estes temas?
Estão previstas iniciativas de sensibilização dirigidas a diferentes públicos – embora, para já, com maior incidência nos mais jovens –, ações de capacitação para quem possa estar ou vir a trabalhar temas de literacia mediática junto de diferentes públicos, bem como videocasts, podcasts, workshops, webinares e divulgação de recursos de apoio à educação para os media. O objetivo passa por promover a diversidade de propostas, de agentes dinamizadores e de participantes envolvidos, criando um espaço alargado de reflexão e participação em torno de temas que são centrais na sociedade atual.
Como podem os estudantes participar?
Para que uma iniciativa possa estar ligada aos “7 Dias com os Media” é fundamental que seja registada através de um formulário simples disponível na página da iniciativa. No caso das escolas e universidades, temos aberta a iniciativa “Media Partners Escolares”, que pretende dar visibilidade a projetos de comunicação desenvolvidos em contexto educativo – como rádios, jornais, televisões ou outros formatos – e, ao mesmo tempo, potenciar a sua capacidade de divulgação da Operação junto das respetivas comunidades. Deixaria também um convite direto aos leitores da Fórum Estudantes: desafiem a vossa imaginação e o vosso espírito crítico e participem ativamente. Podem propor e registar iniciativas que promovam a reflexão sobre o tema desta edição ou sobre outras questões ligadas aos media, recorrendo a diferentes formatos.






