Qual é a experiência de famílias em que vários elementos optam pela mesma instituição de ensino superior? Nesta série de artigos, vamos à descoberta deste lado familiar do Politécnico de Setúbal e das histórias de pais e filhos que se partilharam os mesmos corredores e salas de aula.
Em 2019, Leonor Alves entrou na licenciatura em Biotecnologia da EST Barreiro. Acabaria por encontrar como colega a sua mãe, Elisabete Alves, que terminava o curso de Engenharia Civil na mesma instituição. “Os professores até brincavam com a situação”, conta Elisabete. “Dizia-me ‘a tua mãe ia saber a resposta a esta’”, conta, sorridente.

“Foi engraçado estudar com a minha mãe”, destaca Leonor, que considera que “nem todas as pessoas têm o luxo de poder partilhar esta vivência”. “Acho que foi importante”, concorda Elisabete, que diz incentivar “sempre os pais a estudar com os filhos”. A relação da filha com a EST Barreiro começou ainda em criança, quando a mãe estudava em regime pós-laboral.
“Aconteceu muitas vezes a Leonor dormir enquanto eu fazia os trabalhos com os meus colegas, mas julgo que isso foi uma boa influência”, conta Elisabete. Elisabete concorda e acrescenta, entre risos: “E assim, na altura das festas académicas, já conhecia os melhores sítios para dormir uma sestinha rápida entre aulas”.
Um apoio decisivo
Elisabete decidiu estudar na EST Barreiro em 2012, aos 46 anos, através do concurso Maiores de 23. “Aliciou-me o programa de estudos e o facto de ser pós-laboral”, explica. O facto de ter tido um grupo de colegas que já trabalhava na área foi também “interessante e divertido”, ao “ajudar a partilhar conhecimentos”. “Os professores tiveram um papel muito importante”, reforça.
O papel da comunidade da EST Barreiro é também destacado por Leonor. “Existe uma grande proximidade na comunidade académica e isso é uma mais-valia, porque não nos sentirmos sozinhos”, explica, antes de acrescentar: “Por vezes, na vida de um estudante, parece que o mundo vai acabar e é bom termos o apoio de um colega, funcionário ou professor”.
Mãe e filha, Elisabete e Leonor chegaram a fazer uma cadeira em conjunto na EST Barreiro.
Mãe e filha partilham ainda uma das lições partilhadas, ao longo desta experiência. “Sempre disse à minha filha ‘leva tudo até ao fim’”, explica Elisabete, recordando o dia em que lhe sugeriu experimentar a praxe. “Disse-lhe que só se faz isto uma vez e temos de tentar aproveitar tudo o que o ensino superior tem para nos oferecer”. “Levei isto muito à letra”, conta Leonor: “Fiz parte da comissão de praxe e sou delegada de curso”.
Aos 60 anos, Elisabete é hoje coordenadora de segurança em obra e não tem dúvidas: “O apoio dado pela EST Barreiro foi fundamental para levar o barco a bom porto”. A mesma ideia é confirmada por Leonor, atualmente técnica industrial na Marsul, que destaca também a importância do ensino prático: “Sinto que a formação fez a diferença, o treino laboratorial está a ser decisivo na minha carreira”.





