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Pela 11.ª vez em Portugal, a 4ª nos últimos 5 anos, o vocalista dos Pearl Jam emocionou a Altice Arena. Vedder veio a solo, mas não se sentiu sozinho. Os portugueses não deixam.

Nesta que foi a terceira prestação a solo de Eddie Vedder em palcos nacionais, tecnicamente o músico nunca esteve sozinho nas mais de 2 horas de concerto. Não só tinha à sua espera uma sala lotada, como trouxe consigo um quarteto de cordas, ao qual, na verdade, coube o arranque do espetáculo com uma versão instrumental vastamente aplaudida pelo público de um dos temas mais icónicos dos Pearl Jam: Alive.

Pois bem, “vivinho da silva” está precisamente o repertório desta banda de culto que também fez companhia a Vedder nesta sua 11ª atuação em palcos nacionais, a 4ª nos últimos 5 anos, como o próprio sublinhou no seu discurso em “português papal”. Just Breathe, I Am Mine, Immortality, Whistlist, Driftin’, I’m Open, Black, Better Man, Porch, Jeremy ou Indifference foram algumas das passagens recuperadas por Eddie. Ele não se esqueceu de evocar várias vezes “os tais” 2 concertos consecutivos no Dramático de Cascais, já lá vão 25 anos, onde começou este feliz namoro entre os Pearl Jam e os portugueses. “Onze vezes e ainda falo mal português. Perdoem-me, mas é muito difícil e vocês são muito espertos. Vocês sabem como eu gosto de cá estar”, discursou o músico (recorrendo a uma cábula fonética) para alegria de todos.

eddie dentro

 Na verdade, Eddie nem precisaria de se esforçar tanto para tocar os nossos corações: basta deixar soar aquele timbre dos deuses e/ou sorrir com aqueles olhos brilhantes de meninice (aconteceu, por exemplo, quando descobriu em palco uma garrafa de vinho tinto, que depois decidiu partilhar com alguns dos espetadores da plateia dianteira). Em ambas as situações entendemos que ele nos quer bem. Mas pronto, é sempre bom saber que também somos especiais para ele, pelo surf, porque somos uma fonte inspiração criativa, porque a nossa energia ao vivo lhe dá energia para andar na estrada e estar longe da família, isto tudo foi confessado em palco perante uma assistência feita de cadeiras mas que nem sempre conseguiu ficar sentada, tão pujantes foram as emoções.

O carinho de Vedder por nós ficou ainda mais evidente para Inês, uma menina sentada nas primeiras cadeiras que ali viu celebrado o seu aniversário com um coro de milhares de vozes entoando os Parabéns. Abraços, como pediu uma fã mais adulta, é que não, que ele é bem casado brincou. Para além deste amorzinho todo há a qualidade e a especialidade das canções selecionadas, desde quatro passagens da magnífica banda sonora de Into the Wild, a temas interpretados na viola acústica, na guitarra elétrica, nas teclas ou no ukelele, “um instrumento que me faz parecer maior”, jocou este Eddie que é grande, Eddie mais. No total foram 28 temas, com espaço também para covers de Fugazi, Cat Steven, Jerry Hannan e John Lennon, neste caso do clássico Imagine, ali emoldurado por milhares de luzes de telemóveis. Rockin’ in a Free World, de Neil Young, encerrou a sessão, como é hábito nos shows de Pearl Jam.

eddie publico

Na primeira parte, e também pontualmente com Vedder, atuou Glen Hansard, ator e músico irlandês que, com a cantora Markéta Irglová, venceu em 2007 o Óscar para Melhor Canção Original com Falling Slowly, do filme Once, do realizador John Carney, no qual são também protagonistas. Um grande amigo que o nosso amigo trouxe a esta sua casa que é Portugal.

(Fotos: Tiago Cortez/Everythingisnew)

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