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As nossas florestas estão a crescer? Qual o verdadeiro efeito das barragens nos rios? Continuamos a ser o maior produtor de cortiça? O livro "Ecossistemas e Bem-Estar Humano: Avaliação para Portugal do Millennium Ecosystem Assessment" conta-te tudo.

No ano 2000 o então Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, apelou ao estabelecimento de uma avaliação do estado dos ecossistemas do planeta e da sua capacidade para assegurar a manutenção do bem-estar humano. Essa avaliação foi denominada Millennium Ecosystem Assessment (MA), e foi desenvolvida a nível global entre 2001 e 2005. Além do nível global, o MA integrou um conjunto de Avaliações Sub-Globais a escalas regionais, nacional e local.

A Avaliação Sub-Global para Portugal (ptMA) foi uma das 18 Avaliações Sub-Globais do Millennium Ecosystem Assessment. Foi liderada pelo Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, iniciou-se em 2003 e envolveu uma equipa de mais de 60 cientistas de uma dezena de instituições. A ptMA foi concebida para responder às necessidades de informação dum grupo de utilizadores nacionais, que incluíram instituições governamentais, organizações não governamentais de ambiente, agricultores e industria.
 
Os resultados finais da Avaliação Sub-Global para Portugal do Millennium Ecosystem Assessment foram reunidos num livro, “Ecossistemas e Bem-Estar Humano: Avaliação para Portugal do Millennium Ecosystem Assessment”, que será apresentado no próximo dia 13 de Janeiro, pelas 17h, na livraria Escolar Editora, no edifício C5 da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. A sessão será presidida pelo Secretario de Estado do Ambiente, Prof. Doutor Humberto Rosa. 
 
O livro foi co-editado por Henrique Miguel Pereira (FCUL), Tiago Domingos (IST), Luis Vicente (FCUL) e Vânia Proença (FCUL).
 
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Mensagens-chave do livro

- Os ecossistemas portugueses providenciam um conjunto de servic?os de ecossistema essenciais para o bem-estar humano: produc?a?o de alimento, produc?a?o de a?gua, produc?a?o de madeira e cortic?a, protecc?a?o do solo, regulac?a?o da qualidade da a?gua e do ciclo hidrolo?gico, sequestro de carbono, valor este?tico e cultural da paisagem, recreio e turismo. Na base de todos esses servic?os esta? a biodiversidade, que em Portugal Continental inclui mais de 3000 espe?cies de plantas vasculares, cerca de 400 espe?cies de vertebrados, e um nu?mero desconhecido de espe?cies de invertebrados. Nos Ac?ores e na Madeira ocorrem mais de 1700 espe?cies de organismos ende?micos, isto e?, que na?o existem em mais nenhuma parte do mundo.

- No final do se?culo XIX, so? cerca de 10% do territo?rio nacional era coberto por floresta e havia graves problemas de erosa?o nas montanhas. Para mitigar esses problemas e para aumentar a produc?a?o de produtos florestais, o Estado Portugue?s fomentou va?rias campanhas de florestac?a?o, principalmente com pinheiro-bravo. Simultaneamente, a crescente procura de cortic?a e de carne de porco de rac?a Alentejana levou ao aumento da a?rea de montado de sobreiro e azinho. Em meados do se?culo xx a a?rea florestal tinha ja? triplicado.

- Nos u?ltimos 50 anos assistimos a alterac?o?es significativas nos ecossistemas portugueses impulsionadas por profundas modificac?o?es socioecono?micas. A economia aumentou mais de seis vezes, o nu?mero de agricultores diminuiu mais de 60% e a a?rea agri?cola reduziu-se em 40%. Ocorreu a intensificac?a?o agri?cola e a florestac?a?o com monocultura de eucalipto, com impactes negativos na biodiversidade e nos servic?os de regulac?a?o dos ecossistemas.

- Os nossos rios sofreram modificac?o?es drama?ticas com a construc?a?o de barragens e com o aumento da poluic?a?o proveniente da agricultura e da indu?stria.
O problema das espe?cies exo?ticas invasoras agravou-se nas ilhas e aumentou a pressa?o sobre os ecossistemas costeiros. Em muitos ecossistemas manteve-se ou agravou-se o ni?vel de sobre-cac?a e sobre-pesca.

- Actualmente 30% das espe?cies de vertebrados terrestres e 70% das espe?cies de peixes dulciaqui?colas e migradores auto?ctones encontram-se ameac?adas. As florestas naturais no Norte do pai?s te?m uma distribuic?a?o escassa, embora no Sul o montado de sobro e azinho, um sistema agro-florestal semelhante a? floresta natural desta regia?o, esteja relativamente em bom estado. O sistema nacional de a?reas protegidas e a Rede Natura 2000 cobrem algumas das a?reas mais importantes para a biodiversidade.

- Os ni?veis de produc?a?o de a?gua dos ecossistemas portugueses satisfazem as necessidades de consumo existentes. Menos de 10% do valor da precipitac?a?o anual e? utilizada. Ha? no entanto uma grande variabilidade espacial e temporal na disponibilidade dos recursos hi?dricos, com a maior parte da precipitac?a?o a ocorrer no Norte do pai?s de Outubro a Marc?o. Em 2000 o valor de mercado do abastecimento de a?gua era de cerca de 2 mil milho?es €/ano, equivalente a cerca de 2% da economia portuguesa. Cerca de 3/4 do consumo de a?gua e? destinado ao sector agri?cola e mais de metade do consumo prove?m de aqui?feros subterra?neos.

- A produc?a?o nacional de alimento e? deficita?ria em 30% em relac?a?o ao consumo. Alguns dos produtos de que somos importadores li?quidos incluem pescado, soja, milho, trigo e a carne. Houve tambe?m uma substituic?a?o de culturas anuais por pastagens permanentes. Os sectores agri?cola e das pescas representam actualmente cerca de 3% e 0,3% da economia portuguesa, respectivamente (a indu?stria alimentar representa adicionalmente cerca de 2%). Uma grande parte dos stocks em Portugal esta?o em situac?a?o de sobrepesca e a quantidade pescada tem diminui?do nos u?ltimos 25 anos.

- Portugal e? o li?der mundial na produc?a?o de cortic?a, sendo responsa?vel por 54% da produc?a?o mundial, e e? um exportador importante de pasta e papel. O sector florestal e? responsa?vel por 10% das exportac?o?es nacionais; a fileira florestal emprega 228 000 trabalhadores e representa cerca de 3% da economia portuguesa. Cerca de metade da floresta portuguesa de produc?a?o tem como func?a?o principal a produc?a?o de madeira (nomeadamente pinheiro-bravo e eucalipto) e a outra metade a produc?a?o de cortic?a e a produc?a?o animal (nomeadamente sobreiro e azinheira).

- A expansa?o da floresta nas u?ltimas de?cadas favoreceu o sequestro de carbono ao ni?vel da biomassa florestal. Os montados, os eucaliptais e os pinhais apresentam valores de produtividade li?quida durante o crescimento equivalentes a 1-5 t CO2/ha/ano, 15-32 t CO2/ha/ano e 15-26 t CO2/ha/ano, respectivamente. Em a?reas agri?colas, o sequestro de carbono no solo pode ser obtido atrave?s da implementac?a?o da sementeira directa de culturas anuais e de pastagens permanentes semeadas biodiversas ricas em leguminosas.

- A avaliac?a?o da condic?a?o da qualidade da a?gua em Portugal revela que 40% dos meios hi?dricos superficiais esta?o num estado mau ou muito mau. Tambe?m os aqui?feros subterra?neos enfrentam ameac?as a? qualidade da a?gua por contaminac?a?o com poluentes de origem agri?cola e intrusa?o salina. No entanto, nos u?ltimos anos as zonas costeiras te?m apresentado melhorias na qualidade das a?guas balneares.

- A procura de a?reas rurais e naturais para recreio e turismo encontra-se em crescimento. O turismo de natureza, que inclui actividades como o pedestrianismo, a canoagem, e a observac?a?o de aves, e? indicado como uma motivac?a?o prima?ria por 6% dos turistas em Portugal. Os Ac?ores (36%) e a Madeira (20%) sa?o as regio?es onde esta actividade e? mais importante. O turismo e o recreio constituem um meio privilegiado de promoc?a?o dos recursos existentes e de revitalizac?a?o do tecido econo?mico e social local. Estudos de disposic?a?o a pagar indicam que os portugueses valorizam significativamente a paisagem e a protecc?a?o da biodiversidade.

- Os problemas ambientais das pro?ximas de?cadas so? sera?o minimizados se houver uma atitude pro?-activa da sociedade. A tende?ncia para aumentar os servic?os de produc?a?o a? custa da degradac?a?o dos servic?os de regulac?a?o e culturais so? sera? contrariada se a sociedade se aperceber das implicac?o?es negativas para o bem-estar humano. 
 
Mais informação em http://www.ecossistemas.org/ e http://www.maweb.org/

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