O dia de hoje, começou por destacar o vogal da direção da Acesso Cultura, Leonel Alegre, é "um dia muito especial" para esta associação. "Este é um passo com que sonhávamos há muito tempo", acrescentou.

Leonel Alegre referia-se ao lançamento do site "Cultura Acessível", uma plataforma online que agrega a oferta cultural acessível espalhada pelo país. Neste universo, incluem-se ofertas que respondam a necessidades relacionadas com deficiência visual, surdez, deficiência intelectual, deficiências sensoriais ou deficiências de comunicação, por exemplo. Esta agenda – apresentada ao público hoje, no Teatro Nacional D. Maria II –conta com o apoio da Fundação Millennium BCP.

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Apresentação pública do website realizou-se hoje, no Teatro Nacional D. Maria II

Para já, a agenda disponibiliza a oferta acessível programada por 34 instituições culturais que poderá ser pesquisada com o auxílio de vários filtros: tipo de necessidade, tipo de oferta, grupo etário, data e distrito ou localidade. Espera-se que o número de ofertas seja crescente, com a Acesso Cultura a incentivar o contacto por parte de instituições que ainda não estejam integradas nesta plataforma.

Um motivo de "particular orgulho", realçou a diretora executiva da Acesso Cultura, Maria Vlachou, reside no facto deste website cumprir os requisitos do nível mais alto de acessibilidade. Desta forma, a agenda online é acessível, por exemplo, aos utilizadores que possuam limitação de movimentos ou fotossensibilidade.

Partilhar Cultura
A criação desta agenda, destacou Leonel Alegre, procura facilitar o acesso a oferta cultural "profissional e adequada", oferecendo "visibilidade ao trabalho já realizado" neste campo. Ainda que o número de ofertas acessíveis tenha "aumentado significativamente nos últimos anos", realçou, muitas destas "não são ainda do conhecimento do público em geral nem das pessoas com deficiência".

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O vogal da direção da Acesso Cultura, Leonel Alegre

Por outro lado, ressalvou, muitas destas ofertas localizam-se em Lisboa e no Porto. Um desequilíbrio a que, destacou a Diretora Executiva da Acesso Cultura, Maria Vlachou, esta agenda procura também responder. "No site, é possível ofertas encontrar localidades mais pequenas", garantiu, realçando esperar que esta iniciativa "crie o incentivo a ir um pouco além da obrigação legal [de garantir a acessibilidade às ofertas culturais]". "Esperamos estimular o gosto em partilhar a Cultura com todos os interessados", reforçou.

De resto, outro dos objetivos na base da criação do site "Cultura Acessível" é "servir de exemplo e inspiração às entidades culturais, sobretudo as que não desenvolvem este trabalho de forma permanente", destacou Leonel Alegre.

O estado da acessibilidade
Em 2017, a Acesso Cultura viajou pelo país, visitando todas as Comunidades Intermunicipais e as Regiões Autónomas, num projeto apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. O objetivo passou por promover a reflexão sobre o conceito de acesso, traçando também um diagnóstico sobre a acessibilidade em Portugal. Porque "pequenos detalhes fazem toda a diferença", pode ler-se no relatório.

Através deste estudo, salientou Maria Vlachou, foi possível compreender, desde logo, que "a acessibilidade envolve investimento e dinheiro", num contexto de "poucos apoios financeiros". Contudo, ressalvou a diretora executiva, ficou também patente a necessidade de sensibilização, tendo em conta que "por vezes, não é necessário dinheiro, muitas coisas poderão acontecer com outra mentalidade".

Ainda sobre sensibilização, Maria Vlachou concorda que esta agenda online poderá contribuir para uma maior literacia de acessibilidade. Um tema especialmente importante, tendo em conta que "se as pessoas ficarem em casa, os outros não a conhecem, é como se não existisse". Nesse sentido, a "Cultura Acessível" pode contribuir para uma aproximação, concluiu: "leva à consciência de que existem pessoas com outros perfis e necessidades. Mas que podem fazer coisas juntos".

agass