
Angélica Andrade é docente no Instituto Superior de Ciências da Saúde-Norte e Podologista. Após ter tido uma conversa com a aluna Claúdia Alves, decidiu enviar-nos um artigo onde conta (quase) tudo sobre Podologia.
A podologia consiste numa ciência da área da saúde que se dedica à investigação, prevenção, diagnóstico e tratamento das patologias que surgem no pé e suas repercussões no restante organismo humano (membro inferior e coluna vertebral), sendo o Podologista/Podiatra o profissional que põe em prática a podologia tendo a responsabilidade profissional de tratar as alterações das extremidades inferiores, nomeadamente o pé, utilizando os métodos científicos mais actuais e o equipamento mais sofisticado.
O dia-a-dia de um profissional de podologia é variado e multifacetado; cada paciente apresenta um desafio único. Num só dia pode ter uma intervenção clínica numa abordagem dermatológica e ortopodológica, tanto na área do desporto, como nos cuidados dirigidos à criança e ao idoso, entre outros. Isto acontece porque, embora a podologia seja especializada no cuidado e tratamento do pé e tornozelo, estes mesmos pés e tornozelos apresentam uma complexidade de alterações para diagnosticar e tratar, consoante a sua etiologia.
Os podiatras são assim os profissionais de saúde que se dedicam ao diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças e lesões do pé e suas repercussões no membro inferior e coluna vertebral. Estes profissionais, tratam queratopatias, unhas encravadas, joanetes, esporão de calcanhar, alterações morfológicas do pé (pés planos e cavos), lesões no tornozelo e pé, deformidades e infecções associadas a diabetes e outras doenças. Na sua área de intervenção, também aplicam tratamento personalizado tais como a adaptação de ortóteses plantares. O podiatra, dentro da sua área de conhecimento, pode especializar-se, concentrando-se numa área específica da cirurgia, desporto, biomecânica, dermatologia, geriatria, pediatria, entre outros.
Segundo a American Podiatric Medical Association (APMA), o facto da idade da população e a incidência de diabetes aumentarem, a solicitação dos podiatras tem subido de forma significativa. E, segundo um estudo recente conduzido pela força de trabalho do Centro de Estudos de Saúde - Força de Trabalho na Universidade de Albany, é indicativo que faculdades de podiatria teriam de triplicar os seus licenciados nas próximas três décadas, a fim de atender às crescentes solicitações da população.
Os transtornos do pé e tornozelo estão entre os problemas de saúde mais difundidos e negligenciados que afectam as pessoas neste país. Verifica-se que à medida que as pessoas cada vez mais praticam exercícios e programas de fitness, mais eles se tornam conscientes das suas limitações, nomeadamente quando a dor no tornozelo e pé interferem na sua plena participação. Além disso, o número de idosos está a aumentar quase três vezes mais rápido que a população como um todo, criando uma verdadeira necessidade para os serviços de podologia.
No exame clínico ao paciente, os podiatras para além de outros instrumentos auxiliares de diagnóstico, podem utilizar o sistema informatizado de obtenção da impressão plantar através de uma plataforma de forças para avaliar os pontos de pressão e distribuição do peso, tanto em ortostatismo como em dinâmica. São também utilizados, pelo profissional de podologia, meios complementares de diagnóstico, na elaboração do diagnóstico podológico, sendo que o pé pode ser a primeira área a mostrar sinais de doenças graves, como artrite, diabetes e doenças cardíacas. Por exemplo, pacientes com diabetes são propensos a infecções e úlceras nos pés por causa da má circulação.
O podiatra, através do seu diagnóstico e em colaboração com outro (s) profissional (is) de saúde, pode desta forma contribuir para o tratamento mais adequado para o doente.

Antes e depois
Os estudantes interessados em frequentar o curso de Podologia devem proceder à candidatura na CESPU, CRL (Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário), que desenvolve e ensina estes conhecimentos através das Escolas Superiores de Saúde do Vale do Sousa (Dec. Lei N.º 303/97 de 04 de Novembro) e do Vale do Ave (Dec. Lei N.º 270/97 de 04 de Outubro), actualmente integradas no Instituto Politécnico de Saúde do Norte, com interesse público reconhecido pelo Dec. Lei N.º 404/99 de 14 de Outubro.
Após concluir o curso de licenciatura em Podologia (180créditos-3 anos), o aluno pode ingressar em vários mestrados, tais como mestrado em Podiatria Infantil, Podiatria Geriátrica, Podiatria do Exercício Físico e do Desporto e Podiatria Clínica.
Além dos consultórios particulares, os podiatras podem trabalhar em equipas multidisciplinares em hospitais e clínicas, assim como em centros de saúde. Estes profissionais podem assim, dar apoio a várias áreas da saúde ligadas ao idoso, à criança, ao desporto, ao diabético e doentes de risco.
Os estudantes interessados na Podiatria devem considerar uma série de factores. Em primeiro lugar, o estilo de vida oferecida por uma carreira na podiatria que encaixa nos objectivos de muitos jovens de hoje. Enquanto podiatras para além do trabalho exigente (uma média 35-42 horas por semana), também têm tempo para os seus próprios interesses individuais, deixando tempo para a família, hobbies e interesses externos. Com base nos dados da APMA, a maioria dos Podiatras sentem-se realizados por terem escolhido esta profissão, sendo que no nosso país a empregabilidade na área da podologia está em crescente evolução.
Segundo a APMA, os americanos gastam uma grande parte do tempo a tratar dos seus pés, e isso está-se a verificar também no nosso país. A população portuguesa está a consciencializar-se que o pé é a base de sustentação do corpo e como tal deve ser tratado. Enquanto o país se torna mais activo em todas as faixas etárias, a necessidade de cuidados com os pés torna-se cada vez mais importante, e assim a necessidade de consultar um podiatra também se torna indispensável.
Mestre Angélica Andrade
Podologista/Podiatra e Docente da Escola Superior de Saúde do Vale do Sousa
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