
De certeza que já ouviste aquela frase típica “Se conduzir, não beba”.
Pois bem, não é à toa que somos constantemente bombardeados com tais mensagens. O álcool é, de facto, uma das principais causas de acidentes de viação no nosso país. E a camada jovem é das mais afectadas por esta situação.
Começa na adolescência e costuma durar uns aninhos. É a fase em que começamos a vida social, a sair à noite com os amigos, a procurar uma série de novas experiências e sensações, muitas vezes através do álcool.
Este último, combinado com uma ansiedade crescente de viver cada dia como se fosse o último, sentimento tão característico da juventude, provoca-nos uma falsa sensação de auto-controlo e invulnerabilidade que pode, frequentemente, levar à adopção de comportamentos de risco, especialmente ao volante.
Sabias que, mesmo com uma taxa de alcoolémia máxima permitida por lei – 0,49 g/l – o risco de acidente aumenta para o dobro? O que deves pensar é que o prazer ou vontade de consumir álcool, por pouco que seja, não compensa o risco de acidente e as suas consequências, caso decidas conduzir sob a sua influência.
Os estudos realizados nesta matéria consideram que a condução sob o efeito de álcool é uma causa essencial de acidentes rodoviários. Só em 2010, a PSP detectou 17.805 condutores com excesso de álcool no sangue, tendo detido uma média de 21 condutores por dia, ou seja, durante o ano de 2010, uma média de 21 pessoas por dia conduzia com uma taxa de alcoolémia superior a 1,2 g/l.
Outros dados dizem-nos que 1 em cada 3 condutores mortos nas estradas em acidentes de viação, conduzia sob o efeito de álcool.
Prazer vs Responsabilidade
Beber é um prazer para muitos. Seja em festas ou em casa, o consumo de álcool é dos costumes mais antigos da humanidade. No entanto, não quer dizer que este tenha de ser feito em excesso, principalmente quando tens um veículo nas mãos.

É sabido que os condutores mais jovens procuram no álcool, um “mundo” de novas experiências e sensações, sentindo-se invulneráveis ao perigo e adoptando comportamentos de grande risco quando em condução de veículos motorizados. O ACP e a BP apresentam-te aqui uma série de dicas e informações relativas à ingestão de álcool para que possas praticar uma condução mais segura e responsável, sem colocar a vida de ninguém em risco.
Riscos e Consequências
É sabido que o consumo do álcool tem graves efeitos na nossa saúde. Quando em conjunto com outros factores externos, como a fadiga, o consumo de medicamentos e, nas mulheres, a gravidez, as consequências negativas do álcool podem tornar-se ainda mais graves.
Dos vários efeitos causados pelo álcool, os principais são:
- Diminuição da atenção, concentração e vigilância
- Reflexos mais lentos
- Redução da percepção visual
- Dificuldade de coordenação
- Redução da força muscular
- Redução da capacidade de tomar decisões racionais ou de discernimento
- Aumento do tempo de reacção
- Diminuição da resistência à fadiga

No momento da condução, estes efeitos afectam-te directamente na avaliação das condições externas, das distâncias e das velocidades, bem como do teu tempo de reacção, pelo que a probabilidade de acontecer um acidente é significativamente maior. Também o tempo de recuperação após um encadeamento é maior, o que aliado ao estreitamento do campo visual, resulta numa mistura explosiva para se dar o acidente.
Ao longo dos últimos anos, são vários os estudos que nos provam que uma taxa de ácool no sangue (TAS) de 0,50 g/l reduz o campo visual em cerca de 30 % e que pequenos aumentos da TAS traduzem-se em grandes reduções do campo visual. Como efeitos directos da ingestão do álcool devemos considerar o aumento do tempo de reacção, a diminuição da capacidade reflexiva e a diminuição da resistência à fadiga. Estas menores capacidades psico-motoras têm efeito directo na distância de segurança, na distância de reacção e, consequentemente, na distância de travagem.
Olha a multa!
Em Portugal a taxa de 0,49 g/l corresponde ao limite máximo que um condutor pode ter e é considerada a fronteira entre uma condução responsável e segura, e uma condução com riscos acrescidos.
Existem aparelhos próprios, chamados alcoolímetros quantitativos, que medem a quantidade de gramas de álcool por cada litro de sangue do indivíduo, através do ar expirado, aquilo que normalmente conhecemos como o “teste do balão”.
Estes testes são feitos aleatoriamente nas operações policiais de fiscalização, as chamadas operações stop, que frequentemente vemos nas ruas, ou ainda de forma obrigatória em qualquer caso de acidente de viação.

Para cada valor encontrado, foi estipulada uma coima:
• De 0,5 g/l a 0,8 g/l – contraordenação grave, multa entre os 250 e os 1250 euros.
• De 0,8 a 1,2 g/l – contraordenação muito grave, multa que pode ir dos 500 aos 2 500 euros.
• Com mais de 1,2 g/l é considerado crime e o condutor sujeita-se ao pagamento de uma multa de 2500 euros mais 2 anos de prisão.
“Hoje é a tua vez!”
A maior parte dos acidentes ligados ao consumo de álcool, acontece à noite, associada a um contexto de festa.
Não há necessidade de arriscar e colocar a tua vida e a dos outros em perigo, por isso mesmo, o ACP e a BP recomendam-te fortemente a falar com os teus amigos, nestas situações específicas, e a nomear alguém que nessa noite não beba e que leve o carro, de modo a que todos se possam divertir em segurança e com resposabilidade. Noutras noites, poderão revezar-se. Outra solução, principalmente nas zonas urbanas, é a utilização de transportes públicos.

Sabias que...
1) No caso dos motociclistas, uma alcoolémia superior a 0,50 g/l aumenta em até 40 vezes o risco de acidente, se compararmos com uma taxa de alcoolémia zero.
2) Os condutores mais jovens e sem grande experiência ao volante, ao conduzirem com uma alcoolémia de 0,50 g/l, correm um risco 2,5 vezes superior àquele a que estão expostos os condutores mais idosos e experientes.


















