Terça-feira, 07 de Fevereiro de 2012

Última actualização:14:57 GMT

Hi5: forumestudante MySpace: forumestudante External Link: facebook.com/pages/FORUM-ESTUDANTE/314359796460 Twitter: forum_estudante External Link: www.forum.pt/index.php?format=feed&type=rss
Estás aqui: Estudantes Perguntas tu Feiticeiro de canções... e emoções

Feiticeiro de canções... e emoções

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF
( 1 Voto )

luis_represas

Nunca teve a intenção de ser músico. Diz até que esta lhe caiu no colo. E assim ficou até hoje. O tempo foi passando e conta já com 34 anos de carreira. A FORUM foi descobrir quem é Luís Represas fora dos palcos e como tudo começou a ter sentido no mundo da música!

 

 


Diogo Costa (DC) – Em 1976, em Sagres, foi fundado o grupo Trovante, referência da música popular portuguesa do pós 25 de Abril. Que sentimentos e recordações guarda desses tempos?
Foram tempos muito confusos. Nenhum de nós queria ser músico profissional. Queríamos todos fazer outras coisas. Fazíamos música como qualquer jovem de hoje em dia: pegávamos em guitarras e tocávamos músicas que gostávamos de ouvir. Aprendíamos acordes uns com os outros e andávamos a tocar letras que vinham numa revista da altura, para em conjunto tocarmos umas músicas, divertimo-nos um bocado e engatarmos umas miúdas.
Mas estávamos também a viver um momento muito especial na vida portuguesa. Há um ano atrás tinha havido a revolução e de repente caímos num caldeirão que nos era completamente desconhecido. Estávamos a viver uma euforia da liberdade, a queda das velhas instituições e a recuperação das novas... Tínhamos 18 ou 19 anos e tudo aquilo era, juntamente com as hormonas, muita coisa ao mesmo tempo aos saltos. E começámos a ter consciência de uma série de coisas. (...) E outra recordação indelével para mim foi quando nós começamos a reunir o reportório suficiente e começámos a querer gravar um disco, coisa que na altura era extremamente difícil.


Leonor do Carmo (LC) – Como era o Luís Represas no tempo da escola?
Os meus colegas diziam que eu era muito bonzinho (risos). E eu acho que sim. Nunca me meti em grandes confusões. (…) E quem é que era eu? De facto, era um aluno que andava à procura do seu universo, da sua independência, como outro qualquer. A correr os riscos de todos, as asneiras que todos fazem, mas acho que sempre tive um espírito de grupo e de colectivo bastante apurado. E sempre me incomodou imenso a história das praxes; a forma como muitas vezes a crueldade extrema dos adolescentes, e dos jovens, e das crianças em relação àqueles que são diferentes. Tudo isso me incomodava. E de facto vivia naquele liceu num espírito que punha isso muito de parte. Tive a sorte de ter professores fantásticos. E sempre fui uma abécula total em desportos que envolvessem bola: Futebol, Andebol, Basquetebol... Dedicava-me ao Bagminton ou ao Atletismo... Acho que era muito normal dentro do colégio.

LC – Conta com 34 anos de carreira. O que é que mais o marcou ao longo destes anos?
Talvez o momento em que o (grupo) Trovante acaba. 16 anos depois de existir, de repente tive que me questionar e tive que olhar para a frente: o que é que vou fazer agora? Vou continuar a fazer música, será que eu sozinho formo um grupo como o Trovante, com aquela forma de estar e trabalho de equipa? Será que sou alguém na música? Criou-me uma angústia enorme. Esse foi um período difícil. Precisava escrever as minhas próprias canções, refugiar-me e fugir para um sítio onde ninguém me conhecesse, daí eu ter ido para Cuba. Esse sim é um momento muito marcante na minha vida e em que dei o passo a seguir.

DC – Acha que o mercado musical, ou os fãs, mantêm-se fiéis à velha guarda? Não tem medo de perder fãs para a nova geração de artistas, como os DZRT?
Acho que há espaço enorme para toda a gente. (…) Quanto mais espaço houver para as pessoas construírem a música que querem, mais as opções serão feitas de uma forma sem ser pressionada, agradável. Caramba, a música é uma coisa que nos dá prazer, antes de mais nada! (…) Quando é que perdes público? É quando decides fazer uma clivagem da tua música e, de repente, os que te ouvem já não te conhecem e dizem: isto já não é a mesma pessoa.

LC – Qual o episódio mais caricato que lhe aconteceu enquanto cantor?
(Risos) Aconteceram tantas coisas absurdas... Uma vez, estávamos no princípio dos anos 80, e tínhamos de procurar onde dormir depois dos concertos – obviamente nos sítios mais baratinhos para ficar. E nessa altura trabalhava connosco alguém que nós chamávamos o oitavo Trovante, que ia buscar os locais mais baratos e que às vezes eram os mais complicados. Então, estávamos no Norte, e ficámos numa pensão em que começámos a ver que para os 3 andares só havia uma casa de banho. Tudo tinha um ar pouco asseado e higiénico, até que um de nós vai à casa de banho, chama os outros e diz: 'vocês não acreditam...’ De facto, era uma casa de banho muito suja, e onde o cão, um pastor alemão, dormia na banheira. Agora imaginem o que é isto às 3h da manhã! E a partir daí ficámos em sítios melhores...

DC – O que é que ainda falta escrever sobre Luís Represas?
A coisa mais irritante que existe é quando alguém te pergunta: 'o que é que quis dizer com esta canção?' E aí é desvirtuar por completo... É quase magoar a canção porque ela deixa de ter aquela qualidade maravilhosa que é a de recriar sonhos, recriar imagens, nas pessoas. E isso é o melhor que a canção pode ter.

LC – De todas as músicas que compôs, qual a que mais o marcou e porquê?
As pessoas podem pensar que as músicas que nos marcam são as que têm mais sucesso. Por exemplo, a ‘Feiticeira’ a mim marcou-me não por ter o sucesso que teve, mas por aquilo que eu achava da canção antes de ela ser um sucesso. Foi uma canção em que eu não acreditei e de repente foi o que foi... Há canções que não foram hits, mas que me dão um enorme prazer a cantar, como quando canto canções espalhadas pelos vários discos e que as pessoas não conhecem.



Curiosidades...


Nascer para a música
Quando e como é que um músico ou cantor descobre a sua vocação? Luís Represas diz que não foi atrás da música, foi ela que veio ter com ele. “Podia ser médico, e continuar a tocar guitarra com os meus amigos, como fazem muitos médicos, que fazem disso uma alternativa, um hobby. Mas não, foi o contrário”.  Desde pequeno que tem a noção que gosta de cantar e diz que “Para mim [ser cantor] é tão normal como respirar. Desde pequeno que tenho a noção que gosto de cantar”. Mais tarde, com amigos, as coisas tornaram-se mais óbvias. “Foi uma coisa tão natural e que se perde no tempo”.


Ainda se fazem canções de intervenção?
Luís Represas acredita que as músicas de intervenção não são apenas aquelas que estão ligadas a momentos que marcam a história ou a sociedade em geral. E explica que “'Ai Timor' foi uma canção que teve uma importância grande, porque também caiu no meio de uma época conturbada. Essa sim. Mas não são só as músicas que estão ligadas a épocas conturbadas que são consideradas ou devem ser chamadas canções de intervenção. Podes estar a viver a época mais pacífica da tua vida, mas se essa canção que tu fizeste teve alguma intervenção ou pode ter roçado alguma intervenção na maneira de pensar das pessoas, inclusivamente nem que seja na felicidade das pessoas, estás a fazer música de intervenção, não é?”.


OS NOSSOS REPÓRTERES DE SERVIÇO:
A FORUM esteve durante três dias na Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho, em Lisboa, e convidou dois alunos do 12º ano para entrevistarem Luís Represas. Apresentamos-te a Leonor e o Diogo:

Leonor Mourão do Carmo, 18 anos
Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho (Lisboa)
“Gostei bastante. Fiquei com uma impressão completamente diferente da que tinha relativamente ao cantor e dos artigos que tinha lido até hoje. Foi uma experiência bastante engraçada, pois nunca tinha estado na pele de um jornalista”.

Diogo Costa, 20 anos
Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho (Lisboa)
“Foi uma entrevista muito enriquecedora, pois permitiu-me conhecer o outro mundo do Luís, que acabou por nos deixar muito à vontade. De realçar que consegui esclarecer algumas dúvidas pessoais sobre a indústria musical em Portugal e como os artistas lutam diariamente pela produção e divulgação do seu trabalho no nosso país”.


Vê aqui os vídeos:



{Fotos: Gonçalo Gil}
{Luís Represas, cantor de música portuguesa, entrevistado pelos leitores da FORUM ESTUDANTE Diogo Costa e Leonor do Carmo, com coordenação de Cátia Felício}






Comentários (3)

Subscrever sinal web deste comentário.
...
claudia
uma belíssima entrevista a um grande senhor da musica
claudia , Janeiro 15, 2011
...
Inês Penim
Belo artista smilies/smiley.gif
Inês Penim , Agosto 07, 2010
...
Fabiana
O diogo é sempre em grande estilo, e sempre a perguntar alguma coisa é impressionante! ehehe smilies/tongue.gif
Fabiana , Abril 18, 2010

Escreve o teu comentário.

menor | maior
security image
Escreve os caracteres apresentados.

Comunidade Forum

 
Estatísticas
Utilizadores registados
: 16592
Grupos criados
: 262
Discussões
: 460
Álbuns de fotografias
: 476
Fotografias
: 3660
Vídeos
: 2952
Boletins
: 383
Actividades
: 41285
 

 
Forum Estudante - 20Yrs