Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

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Aprendizagem Superior

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Vem conhecer Alberto Amaral, alguém com quem tens muito a aprender sobre o Ensino Superior.

Foi Aluno reconhecido, tornou-se Professor respeitado e revelou-se um Reitor revolucionário. A sua experiência na avaliação do ensino superior europeu levou-o a criar a primeira agência de controlo de qualidade das universidades portuguesas. Chama-se Alberto Amaral e se alguém sabe do assunto é ele.

Miguel – Muitos estudantes queixam-se que o Processo de Bolonha subtraiu qualidades às licenciaturas e muitos acabam por optar por ir logo para o 2º ciclo. Isto não põe em causa o espírito de Bolonha?

Bolonha significou a criação de um 1º ciclo mais curto – 3 anos – com abertura directa para o mercado de trabalho. Estava também previsto que só após este processo, passados alguns anos, os jovens optassem pela conclusão do 2º ciclo.

Bolonha tem falhado em alguns aspectos, sendo o primeiro a dificuldade no emprego, e por isso o aluno opta por continuar a estudar. A segunda questão é uma certa desvalorização do ensino superior. No nosso tempo, ter uma licenciatura era factor distintivo e garantia de bom emprego e de excelente futuro. Com a massificação, essa vantagem desaparece.

Carolina – Não existirão demasiadas instituições de ensino superior para um país com a dimensão de Portugal?

Acho que sim. É que, ao todo, há qualquer coisa como 150 instituições, o que origina uma enorme dispersão, duplicações, e falta de pessoal para isto tudo. Com isto, há muitas instituições com uma dimensão demasiado pequena para alguma vez poderem ter qualidade, e dou um exemplo: algumas delas têm menos de 150 alunos… mesmo que esses alunos paguem propinas mais caras, é impossível sustentar o corpo docente da instituição.

Laurinda – Todos os anos, a FORUM Estudante recolhe dados junto dos estabelecimentos de ensino superior para poder informar os jovens. Segundo as instituições, existe um total de 146 cursos com empregabilidade de 100%. Acha que estes dados são rigorosos? A empregabilidade é um factor a ter em conta na avaliação dos cursos pela A3ES?

Em resposta à primeira pergunta, depende muito do curso e depende do número de alunos que o curso tem. Se falarmos de uma Faculdade de Direito com 600 alunos, tendo em conta os números clausus, é evidente que uma estatística dessas seria de rir… Mas se falarmos de um curso de Finanças com 10 alunos à entrada, talvez a empregabilidade possa ser total.

De facto, na análise que fazemos, recolhemos também dados de empregabilidade. No entanto, a lei determina que a função da agência é avaliar se o padrão de qualidade oferecido por um dado curso é igual ou superior aos mínimos aceitáveis.

Miguel – Disse há pouco tempo que a oferta de ensino portuguesa é lenta a adaptar-se às mudanças na procura. A seu ver, que implicações tem este facto nas escolha de curso por parte dos jovens?

Tem implicações, porque desde o momento em que um jovem decide apostar num curso, até à altura em que o conclui, muita coisa pode mudar na sua saída profissional, por exemplo. O Estado tem revelado incapacidade em planear a médio/longo prazo, e também por isso os novos cursos de 3 anos não deveriam ser demasiado especializados e direccionados, mas sim serem mais de “banda larga” para darem aos licenciados maior margem de manobra, quer no mercado, quer na continuação dos estudos. 

Laurinda – O encerramento anunciado de vários cursos vai levar à redução do número de vagas e diminuir as oportunidades de acesso ao ensino superior?

Não. Neste momento, o que se verifica é que há um largo excesso de vagas em relação à procura – a taxa de preenchimento do número total de vagas ainda é inferior a 80%, o que nos dá alguma margem de manobra. Para além disso, a maior parte dos cursos por nós eliminados não tinham grande adesão por parte dos jovens, eram cursos com graves problemas ao nível da qualidade, ou de sobreposição com outros.

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Seguir a vocação

Para o Prof. Alberto Amaral, a escolha “depende sempre muito das inclinações de cada um. Olhando para o quadro actual, poderia dar alguns conselhos sobre áreas onde é mais difícil ter sucesso profissional, como a Educação, a Engenharia Civil ou a Arquitectura. Depois há quem não se importe de apostar no estrangeiro – em Portugal está complicado ser enfermeiro, mas não falta em Inglaterra ou na Alemanha quem os queira. Por isso, desde que não seja uma escolha demasiado dramática (risos) acho que cada um deve apostar no que mais gosta, na sua vocação.”

Quem é… Alberto Amaral

Investigador e professor universitário, Alberto Amaral concluiu o seu doutoramento em Química Quântica na Universidade de Cambridge, em Inglaterra, depois de se ter licenciado na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Foi aí que deu aulas e onde foi Reitor durante 12 anos, com um papel muito importante na melhoria da qualidade do ensino. Virou baterias para a investigação e é hoje o presidente da A3ES, Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior.

No âmbito do trabalho da A3ES, foram recentemente divulgados dados que apontam para virem a encerrar mais de 1000 cursos do ensino superior - a maioria são mestrados e doutoramentos -, por não terem condições de funcionamento.

 





Comentários (1)

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claudia
uma boa entrevista
claudia , Julho 18, 2011

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