
Vem conhecer o Rui Veloso, o Pai do Rock português e um dos maiores nomes de sempre da nossa música.
Compõe, canta e toca guitarra, já lá vão 30 anos. O “Chico Fininho” confessa-se um apaixonado pelo Porto, mas muito do seu tempo é passado no seu estúdio, algures em Lisboa. Entre espectáculos, gravações em nome próprio e colaborações com inúmeros artistas nacionais, Rui Veloso falou à FORUM enquanto músico realizado… mas sempre à procura de mais. Vem conhecer o Pai do Rock português.
Catarina – Rui, começando pelo início… Quando é que lhe despertou o sonho de singrar no mundo da música e porquê?
Nunca tive propriamente esse sonho. Acho que sonhar com uma carreira musical de sucesso é algo muito mais contemporâneo, talvez devido aos programas de talentos que estão agora na moda. No meu caso, foi mais uma espécie de chamamento para tocar um instrumento – comecei a tocar harmónica, depois guitarra e piano, tudo de forma mais ou menos natural. Portanto, não foi de todo um sonho, até porque há 30 anos atrás a profissão de músico não era particularmente bem vista.
Joana – O Rui compõe os seus próprios temas, juntamente com produtores como Paulo Junqueiro, Carlos Tê e Luís Jardim... Qual a música que até hoje mais prazer lhe deu a produzir?
Não me lembro (risos). O trabalho de estúdio é, não diria maçador, mas cansativo, porque há que gravar instrumento a instrumento e depois ouvir e rectificar se algo estiver mal… ouvir muitas vezes a mesma música (ou pedaços de uma música) é um trabalho mentalmente muito exigente, e nos dias de maior carga horária chegamos ao final com a cabeça de rastos. Depois ainda há a parte de pegar na canção e ver para onde ela vai, ao nível dos arranjos e do tipo de instrumentos que são usados – é giro e divertido, mas muito cansativo, por isso é natural que não me lembre bem do que fiz no passado (risos).
João – Fez parte dos projectos Rio Grande e Cabeças no Ar. Faz parte dos seus horizontes um novo trabalho com Tim, Jorge Palma e companhia?
Tão cedo não faz. Com um deles – eventualmente o Tim, com quem toco de forma mais ou menos regular – e mesmo com o João Gil é possível que faça qualquer coisa. Com o Jorge é mais complicado, ele é muito fugidio (risos). Mas nos próximos tempos é difícil fazermos qualquer coisa todos juntos, se bem que um dos duetos que quero fazer de músicas minhas mais antigas seja, precisamente, com o Jorge Palma.

Catarina – Que sentimentos lhe despertam saber que há pessoas que choram quando vão ver um concerto do Rui Veloso?
É bom, a música tem a capacidade de comover as pessoas. Um amigo meu pintor dizia-me: “Vou dizer-te um segredo que nunca confessei a ninguém, o meu sonho era ter sido músico. A música é a arte mais sublime que existe.” E eu tenho alguma tendência a concordar com ele, porque não há nada que nos transporte tão rapidamente a um sítio como um acorde. Às vezes nem é precisa uma canção inteira, no princípio dela já nós estamos num universo qualquer que nos traz alguém ou alguma coisa especial. Eu também já chorei muitas vezes com músicas, e cheguei até a ouvir músicas especificamente para chorar, na altura por causa de namoros que não correram muito bem (risos).
Joana – Quase 30 anos após de ter formado a sua primeira banda, já se sente plenamente realizado com a sua carreira, ou existem metas que ainda gostaria de ver cumpridas?
Na verdade nunca tive uma banda. Digamos que nunca tive muito espírito para aturar malta com a mania que toca bem. Em relação à minha carreira, não me posso queixar porque cheguei até aqui com trabalho, embora pense, como é evidente, que ainda consigo fazer coisas interessantes daqui para a frente. Também não sei fazer outra coisa, e já não dá para ser advogado ou dentista (risos).
Artistas portugueses
“Temos muita gente a fazer boa música, desde os Azeitonas ao Pedro Abrunhosa, passando pelo Manuel Cruz e pelos Diabo na Cruz. Depois ainda há o Camané, a Mariza, o Ricardo Ribeiro, etc. Para o nível cultural que temos, para as oportunidades que há e para a importância que normalmente os nossos governantes dão à cultura, fico espantado com a quantidade de música boa que temos.”



















