
Vem conhecer a Catarina Furtado, uma das apresentadoras mais emblemáticas da televisão portuguesa.

É apresentadora, actriz, dançarina e jornalista. Dedica-se actualmente ao programa “Príncipes do Nada” da RTP, mas começou por se destacar na arte da escrita criativa, ao lado de Nuno Markl. Tentou fugir à sombra do seu pai, procurando copiá-lo apenas na paixão pela sua profissão. É hoje uma mulher realizada com a sua carreira, e vê nos jovens uma capacidade enorme para mudar a face do mundo. Vem conhecer melhor a Catarina Furtado.

João – Habituámo-nos a ver a Catarina com grande à-vontade em mundos distintos, como é o caso do mundo da fama, com as suas festas e eventos, e depois vemo-la com o mesmo à-vontade a ajudar pessoas necessitadas em países onde o luxo é muitas vezes uma miragem. Como é que esses mundos se cruzam na sua vida e porque é que coexistem?
Boa pergunta. Penso muito nisso quando me desloco a países onde as condições de vida são precárias, e é por poder visitar sítios e ver situações dessas que dou cada vez mais valor à minha vida, ao que consegui conquistar e, sobretudo, a todos os pequenos confortos que tenho, desde a casa aquecida à água quente. Hoje em dia, não me deito sem agradecer tudo o que tenho, e tento passar, quase numa perspectiva “ditadora”, essa noção a toda a gente com quem contacto. No fundo, encaro os “Príncipes do Nada” como uma denúncia das realidades mais tristes, deixando ao mesmo tempo um sinal de esperança, dando exemplos de pessoas que, em locais tão problemáticos, fazem a diferença.
Ana Teresa – Numa carreira que já é plena de sucesso, certamente que transporta consigo muitas memórias. Há alguma coisa de que se arrependa?
Não. Sendo-te completamente sincera, não há nada de que me arrependa. Orgulho-me de todas as coisas que fiz, se bem que obviamente há aquelas que me marcaram mais, e sempre que me perguntam sobre estes quase 20 anos de carreira, existem marcos que me saltam à memória mais rapidamente. Mas arrepender-me de alguma coisa não, de todo.

Inês – O facto de o seu pai ser jornalista influenciou-a a ser o que é hoje?
Creio que sim, ainda que indirectamente. Quando comecei a minha formação em jornalismo, optei por escondê-la do meu pai, porque não queria que olhassem para mim como a filhinha do papá, mas ao concluir o curso acabei por lhe contar, para grande espanto dele. Fui colocada na Correio da Manhã Rádio com o Nuno Markl – éramos os melhores amigos e sempre muito criativos – antes de enveredar pela televisão, com o Top+, e também aí o meu pai só soube bem depois.
Mas apesar desta minha forma de lidar com o facto de ser filha do Joaquim Furtado, ele influenciou-me pela paixão com que sempre vivera o jornalismo, pela biblioteca enorme que ele tem, pela pesquisa, pela escrita, pelas viagens ao estrangeiro e voltar cheio de histórias para contar…era contagiante.
João – O que é que os jovens que olham para a Catarina como um modelo a seguir, devem fazer para atingir o mesmo sucesso em diversas áreas?
Sejam muito verdadeiros convosco próprios, e digo-vos isto do fundo do coração. Sejam fiéis a vocês mesmos e não se vendam por nada, nem a vossa alma nem a vossa opinião, mas ao mesmo tempo partilhem com os outros o vosso trabalho, não queiram construir uma carreira umbiguista, porque o bom da vida é saber trabalhar em equipa. De resto, sejam humildes e oiçam os outros, trabalhem e dediquem-se muito, não numa perspectiva de atingir o sucesso – que para mim não é aparecermos nas revistas ou fazermos muitos programas – mas sim de se olharem ao espelho e sentirem orgulho, porque o resto é muito supérfluo.

João – Embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a população… que significado tem para si?
“É, acima de tudo, uma grande responsabilidade. E penso que todos nós, enquanto cidadãos, temos de ter a noção da nossa responsabilidade em contribuir para uma sociedade mais justa e saudável. Eu, consciente de que tenho uma voz geralmente ouvida pelos órgãos de comunicação social, tento utilizá-la em prol de todas as que são permanentemente silenciadas, em particular quando visito locais e tomo contacto com as situações, que muitas vezes me atingem no coração. Com isso indigno-me e ajo, tentando juntar cúmplices às minhas acções – pessoas com poder político, financeiro e, sobretudo, com poder e alma nas suas vozes.”








as fotografias estão mto bem
parece ser uma pessoa muito profissional
Inês e João, estiveram mesmo bem











