Foi num ambiente tranquilo e agradável pelos ares da minha querida terra no sotavento algarvio que estive à conversa com o presidente da associação juvenil 'Ganda Cena'.
A associação de Vila Real de Santo António (VRSA) pretende despertar nos jovens o gosto pelo associativismo juvenil, voluntariado jovem e participação cívica.
Andreia: Olá Miguel. Antes de mais quem teve a ideia de formar uma associação juvenil em VRSA e como e onde surgiu essa ideia?
Miguel: Olá Andreia. Sabes que Vila Real de Santo António teve uma 'explosão' a nível de voluntariado e, principalmente, a nível de actividades desportivas e sabes que também quem tem participado é a população mais jovem do concelho com idades compreendidas entre os 12 e os 25 anos. Eu, em particular, juntamente com um grupo de amigos meus achámos importante, nós jovens, sermos o motor de desenvolvimento do concelho, a nível do voluntariado e daí a ideia do associativismo que está ligado com a participação cívica e portanto daí a 'Ganda Cena'.
Andreia: Inicialmente a associação era composta por quantas pessoas? E agora tem vindo a crescer o numero de pessoas?Miguel: Nós fomos obrigados a constituir a associação com o mínimo de 20 pessoas e foram essas mesmas 20 pessoas que foram à conservatória de Faro para constituir a associação. Hoje tem tido um desenvolvimento lento mas sustentável.
Andreia: Quais os principais objectivos da associação 'Ganda Cena' e o que pretende fomentar?
Miguel: A associação é principalmente uma associação multicultural e visto que existe muito pouca iniciativa jovem, esta associação é composta por vários núcleos, como arte, dança, teatro, etc, onde os jovens participam mais activamente no desenvolvimento de concelho. E é esse o espírito que pretendemos fomentar, o espírito da participação cívica, de querer dar mais ao concelho, à região e ao país.
Andreia: Quais os projectos que já organizam e conseguiram levar avante?
Miguel: Nós temos um ano de actividades. Temos tido alguns projectos como Peddy Papper, projectos de inclusão social, projectos desportivos e, neste momento, temos um projecto com a Santa Casa da Misericórdia de VRSA de solidariedade social em que acompanhamos os jovens do centro de acolhimento e onde fomentamos o espírito da participação. Já promovemos uma gala de aniversario e já organizamos com o núcleo de teatro varias peças teatrais. E como vês é uma associação multicultural.
Andreia: Os jovens têm aderido a este tipo de iniciativas?
Miguel: Sabes que os jovens em VRSA estão um bocadinho paradinhos. Para alem das actividades desportivas ainda não há uma grande explosão a nível da participação cívica, porque actualmente nem os pais os educam para isso, o que é um grande erro, não só em VRSA, como também na nossa sociedade, mas têm aderido minimamente ao que nós temos pedido.
Andreia: Esta associação, sendo uma associação sem fins lucrativos, pretende construir junto dos jovens um espaço para que estes aproveitem todas as iniciativas que esta promove?
Miguel: É esse o principal objectivo desta associação. É beneficiar VRSA de uma instituição que possa oferecer oportunidades de novas vivências e experiências que sendo uma associação juvenil é sempre uma oportunidade de educação não formal como temos vindo a defender e já defendemos em Braga no Encontro Nacional da Juventude.
Andreia: Quantos associados existem actualmente na associação e quais os seus direitos e deveres enquanto sócios?
Miguel: 60. Os deveres é pagar o que é pedido a tempo e horas, como as quotas que são 5€ da inscrição e 1€ mensal. Óbvio que têm mais direitos como participar e ter benefícios de descontos em actividades e claro que são prioritários nas participações. São chamados primeiramente para as actividades de maior lazer como a participação da Feira da Juventude em Lisboa e do Encontro Nacional da Juventude em Braga. Podem e devem participar. Logo têm o dever e direito de participar.
Andreia: Tu és estudante do secundário , consegues conciliar facilmente o teu estatuto na associação com as aulas? Tudo o que desenvolves na associação de certo modo achas que te pode ajudar um dia mais tarde quando ingressares no mercado de trabalho?
Miguel: É uma pergunta difícil. Quando eu entrei para o associativismo juvenil já lá vão 2 anos, a nossa Assembleia da Republica dava benefícios aos dirigentes e incentivava a participar. Na mudança de governo alteraram essa bendita lei que hoje já não é tão bendita e tiraram bastantes benefícios e agora com o novo estatuto do aluno e com a nova lei das faltas porque as faltas mesmo justificadas são contabilizadas para as medidas de recuperação ainda em cima somos prejudicados. Queremos participar e não sermos “discriminados” por participarmos activamente na sociedade. Mas é difícil sim conciliar as duas coisas.
Sim, acho que me irá ajudar no futuro. Eu acho que sim e tiro as conclusões do Encontro Nacional da Juventude de Braga. Fiz parte da comissão do associativismo juvenil e foi basicamente uma resolução e recomendação ao Conselho Nacional da Juventude a propor na Assembleia da República e tocámos principalmente na educação não formal. O associativismo é uma escola, não formal mas é. Portanto se eu for para Gestão, não é o caso, existem prioridades, pois já estive a assumir essas funções de Gestão, jurídicas. E tenho de lidar com essas funções todas e que no futuro espero que me ajude mercado de trabalho.
Andreia: Tens participado noutras iniciativas de voluntariado? Porquê o interesse pelo voluntariado?
Miguel: Já participei nos Jogos Olímpicos da Lusofonia na comissão de protocolo e também participo na politica partidária. Mas sublinho e destaco que o voluntariado é a maior forma, a forma mais massiva e a forma mais interventiva de participarmos activamente por um país melhor. Ao contrário do que muitas pessoas e muitos políticos apregoam, o voluntariado também é politica. Para já politica é fazer algo para o desenvolvimento de alguma coisa e o voluntariado faz isso, nem que seja para o desenvolvimento de um evento.
Andreia: Qual o vosso lema e de que maneira o difundem junto das pessoas?
Miguel: Marcar a diferença. Para já participar é marcar a diferença. Em VRSA somos a única associação juvenil e na zona do Baixo Guadiana, e nós queremos marcar a diferença. Não podemos dizer que os jovens não participam e há associações juvenis por todo o pais. Em VRSA faltava uma associação que dissesse : Não basta! Vamos marcar a diferença!
Andreia: Para acabar, expectativas futuras na associação?
Miguel: Para já mantê-la firme como tem estado, com a maior esperança, porque enquanto há vida há esperança e, em primeiro lugar, que os jovens continuem a aderir, em segundo que os organismos estatais apoiem as iniciativas e, por último, que em VRSA continuem a ser apoiadas as iniciativas jovens e a camada jovem do município
Andreia – Também acho que sim. Os jovens têm de aderir mais a este tipo de projectos. É bom existirem jovens que mostrem interesse pelo desenvolvimento de uma sociedade, porque só tens 16 anos e já contas com uma grande bagagem na participação cívica. Obrigada e até a próxima.
Site da 'Ganda Cena': http://www.ajgandacena.web.pt/










Parabens






