Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

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Entrevista com Diogo Infante

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Entrevista com Diogo Infante
“Gostava muito de ter ido aos Jogos Olímpicos”
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Diogo Infante entrevistado pelos nossos leitores Ricardo Dias Ferreira, Filipa Caçador e Ana Grilo, com coordenação de Bruna Pereira.


Diogo Infante

O teatro comanda-lhe a vida

Já foi actor, encenador, apresentador de TV e tem pena de não ter sido atleta profissional de Jogos Olímpicos. Reconhecido a nível nacional com a recente tomada de posse do cargo de Director Artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Diogo Infante espera agora levar as pessoas ao teatro... Mesmo em tempos de crise.

Ricardo Dias Ferreira (RDF): Já passou pela Direcção Artística do Teatro Maria Matos e agora é o novo Director do Teatro Nacional D. Maria II. Podemos esperar uma programação com “marca” do Diogo Infante?

Espero bem que sim. Vou tentar adaptar a lógica da programação à estrutura e à casa, porque o Teatro Nacional tem um peso institucional provavelmente maior do que teria o Teatro Maria Matos. Contudo, o mais importante é conseguir uma dinâmica de peças e de público que faça sentido, não só para a casa em questão, mas também para as pessoas – e é aí que entra o meu cunho pessoal. Espero que a nova programação funcione como uma espécie de montra daquilo que melhor se faz neste país e que as pessoas sintam que o seu dinheiro – porque o dinheiro do Teatro Nacional (Teatro do Estado) é um dinheiro público – está a ser bem empregue e tenham orgulho e digam: “O nosso Teatro Nacional é um Teatro de referência, é algo que nos dignifica”.

“Na gestão do que são as dificuldades das famílias, o teatro não precisa de ser excluído”

Ana Grilo (AG): É possível levar as pessoas ao teatro, sobretudo nos tempos de crise que se vivem actualmente?

É evidente que estamos a viver um período de crise económica e isso reflecte-se logo na cultura, na medida em que quando há bens de primeira necessidade, a cultura fica para segundo plano. Felizmente, para algumas pessoas a cultura é quase um bem de primeira necessidade também, mas admitindo que não é para essas pessoas que estamos a trabalhar, quero acreditar que é possível encontrar peças e actividades no teatro que sejam suficientemente tentadoras e interessantes para fazer com que as pessoas digam ”ok, esta semana não vou ao cinema ou não vou beber um copo e vou ao teatro”. Na gestão do que são as dificuldades das famílias, o teatro não precisa de ser excluído, sobretudo se for uma coisa que lhes dê prazer, e quando a gente está com dificuldades na vida, ter momentos de prazer é fundamental, porque nos devolve a auto-estima e o prazer de viver. A cultura e a arte têm essa grande função, por isso espero conseguir criar esse espaço.

Filipa Caçador (FC): Já foi actor, encenador, apresentador de TV, faz locuções e é Director Artístico do Teatro Nacional. Há algum momento especial da sua carreira que o tenha marcado?

Ui, há muitos… Se começasse aqui a falar de todos estava o dia inteiro! Em televisão, por exemplo, houve um momento que para mim foi muito marcante, já lá vão uns anos, que foi “A banqueira do povo”. Essa novela permitiu-me, de alguma fora, tornar-me conhecido para o grande público. Da noite para o dia as pessoas começaram a chamar-me pelo nome. Claro que na altura também tive a oportunidade de trabalhar com a Eunice Muñoz e isso também foi muito importante para mim. Mais tarde fiz um espectáculo que se chamou “Sexo, Drogas & Rock N`Roll”, onde era só eu em cena, mas fazia várias personagens e monólogos. Foram dois anos e mais de 200 espectáculos… Aquilo foi igualmente muito marcante. Como encenador também houve vários projectos marcantes. O mais recente foi a encenação do “Cabaret”, no Maria Matos, um musical que foi um enorme sucesso, depois de mais de 5 meses em cena. Estar agora aqui também é um marco. É uma enorme responsabilidade, é um enorme desafio e eu quero encarar isto como muito optimismo, mas com a consciência de que para este novo projecto correr bem eu não o consigo fazer sozinho, antes preciso da colaboração das pessoas que trabalham no teatro e preciso da disponibilidade e do talento dos encenadores e dos muitos actores que me podem ajudar a encontrar textos e peças fantásticos para levar ao público. No limite, preciso que o público tenha vontade, predisposição e nos dê o benefício da dúvida para descobrir um teatro ao qual provavelmente nunca veio.



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