
Cartazes, dispensadores de desinfectante espalhados pela escola, rotinas que incluem lavar as mãos frequentemente e limpar as mesas antes de cada aula…. Este ano lectivo a Gripe A foi contigo para a escola. Para evitar falsos alarmes – e visto que o ano lectivo ainda vai a meio – a FORUM ajuda-te a desmistificar a doença e a saber o que podes fazer para minimizar o contágio.
A propósito dos surtos ocorridos nas escolas do concelho de Valença em Novembro passado, onde se confirmaram mais de 300 casos de infecção, muito se disse e se escreveu sobre a Gripe A, havendo, inclusivamente, especialistas que se referiram à doença como sendo a próxima epidemia da comunidade escolar. Emília Nunes, Directora de Serviços de Promoção e Protecção da Saúde da Direcção-Geral da Saúde (DGS), esclarece que “a gripe A é uma doença infecto-contagiosa que afecta o nariz, a garganta e a árvore respiratória, provocada por uma nova estirpe do vírus da Gripe, o designado vírus da gripe A (H1N1), transmissível entre os seres humanos”.Dado tratar-se de uma nova estirpe de vírus, a maior parte da população não possui imunidade prévia, razão que justifica a facilidade de transmissão, em particular nos mais jovens. No entanto, não há motivo para alarmes desnecessários, continua a representante da DGS. “Os primeiros casos confirmados desta doença verificaram-se em Abril de 2009, no México, surgindo depois casos nos EUA e noutros países a nível mundial, criando-se assim uma situação de pandemia. Apesar de se tratar de uma epidemia, na grande generalidade das situações a evolução da doença é benigna, razão pela qual não se justificam sentimentos de medo ou de alarme na população escolar”, disse Emília Nunes à FORUM ESTUDANTE, recordando que algumas pessoas podem ter um maior risco de complicações – mulheres grávidas, pessoas com doenças crónicas ou com obesidade mórbida. “Por esse motivo, estas pessoas têm a possibilidade de se vacinar, com carácter de prioridade, relativamente à restante população”.
Palavra de ordem: PREVENÇÃO
Emília Nunes recorda que “as escolas e outros estabelecimentos de ensino assumem um papel muito importante na prevenção de uma epidemia de gripe e deverão estar preparadas para a adopção de medidas adequadas de controlo desta doença, em estreita articulação com os pais ou encarregados de educação e as Autoridades de Saúde locais”.
Neste sentido, a DGS tem vindo a trabalhar com as estruturas do Ministério da Educação, de forma a difundir orientações e ajudar os estabelecimentos de ensino a elaborarem planos de contingência. Segundo dados do Ministério da Educação e dos serviços de saúde, “a generalidade das escolas encontra-se devidamente informada e preparada para enfrentar esta doença entre os seus alunos e profissionais”, informa a Directora de Serviços de Promoção e Protecção da Saúde da DGS.
Para a elaboração dos planos de contingência foram produzidas orientações consultáveis no microsite dedicado à Gripe, disponível em www.dgs.pt. Ao nível local, os estabelecimentos de ensino contam com o apoio das Unidades de Saúde Pública dos respectivos Agrupamentos de Centros de saúde, que disponibilizam linhas de contacto telefónico directo para as respectivas escolas. A DGS estabeleceu também uma parceria com o Plano Nacional de Leitura, no âmbito do Projecto “Ler +, agir contra a Gripe”. “O projecto visa melhorar a informação das crianças e dos jovens que frequentam as escolas e, através deles, das suas famílias e das suas comunidades sobre as formas de prevenir a Gripe A. Para consultar as iniciativas realizadas no âmbito deste projecto pode ser consultado o site do Plano Nacional de Leitura, em http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/”, explica Emília Nunes.
O que dizem eles sobre a Gripe A?
Stélvio, aluno do 11º ano, Ciências Sócio Económicas Escola Secundária de Odivelas
“A divulgação permanente é essencial, porque há alunos que pensam que a Gripe A é uma coisa passageira e que dura apenas a semana em que decorrem os avisos por parte dos professores. Convém recordar sempre as medidas preventivas”.
Francisca Dedos, auxiliar da acção educativa Escola Secundária Gago Coutinho
“Mais vale prevenir que remediar. Já estive na cozinha, como auxiliar também, a descascar cebolas e batatas e sei bem a importância da higiene e de gestos tão simples como lavar as mãos frequentemente. Todo o cuidado é pouco. Não sei se foi por isso que aqui na escola proibiram jogar os matraquilhos nos intervalos”.
Carla, aluna do 11º ano, Ciências e Tecnologias Escola Secundária /3 António Carvalho Figueiredo
“Aqui na escola tivemos várias explicações por partes dos professores sobre o que era a Gripe A. Todos os dias, antes das aulas, limpamos as nossas mesas e material escolar com um pano e desinfectante. Além disso, a escola preparou uma ‘sala de isolamento’ para acolher todos os alunos com sintomas do vírus”.
Era uma vez o vírus H1N1…
A palavra vírus vem do latim ‘virus’ e significa toxina, veneno ou peçonha. O vírus da Gripe A (H1N1) é um novo subtipo de vírus que afecta os seres humanos, contém genes das variantes humana, aviária e suína do vírus da gripe e apresenta uma combinação nunca antes observada em todo o mundo.
O período de incubação do vírus H1N1, ou seja, o intervalo de tempo entre o momento em que és infectado e em que se manifestam os primeiros sintomas, pode variar entre 1 a 7 dias. O melhor mesmo é prevenires-te e teres a consciência de que se estiveres infectado corres o risco de infectar outras pessoas num período até 7 dias (o chamado período de transmissibilidade).
Não esquecer!
Se te sentires doente e com sintomas gripais, como febre acompanhada de tosse, dores de cabeça, dores de garganta, dores musculares, congestão nasal e, por vezes, vómitos ou diarreia, não saias de casa e contacta o número Saúde 24 – 808 24 24 24.
Em caso de doença:
- Fica em casa durante 7 dias, ou até que os sintomas desapareçam, caso estes perdurem;
- Cobre a boca e o nariz quando espirrares ou tossires, usando um lenço de papel;
- Utiliza lenços de papel uma única vez e coloca-os de imediato no lixo;
- Lava frequentemente as mãos com água e sabão, em especial após tossires ou espirrares;
- Utiliza ainda toalhetes descartáveis ou soluções e gel de base alcoólica para desinfecção.
Descobre as profissões da Gripe A
Médico: É o profissional que se ocupa da saúde humana, prevenindo, diagnosticando e curando as doenças. Os médicos podem ser generalistas (Medicina Geral e Familiar) ou especializados em alguma área (Alergia e imunologia ou Pneumologia, por exemplo). Este profissional está apto para prescrever a medicação que considere adequada.
Enfermeiro: É o responsável pela promoção, prevenção e recuperação da saúde. Presta assistência ao paciente em clínicas, hospitais, postos de saúde, domicílios, entre outros.
Farmacêutico: Profissional da saúde especialista no uso de fármacos e medicamentos e conhecedor das suas consequências no organismo humano. Pode trabalhar numa farmácia, hospital, em laboratórios de análises clínicas, desenvolvimento medicamentos, entre outros.
Cientista/ investigador: Especialista em uma ou mais áreas da ciência que estuda e desenvolve novos modelos para explicar dados existentes relativos à doença e predizer novos resultados, com base em testes e experiências.




















