
Do teatro amador para o profissional. Do pequeno ecrã para o grande. Ricardo Sá já fez um pouco de tudo.
Muitos conheceram o Leo, personagem dos Morangos com Açucar, mas esta cara vai dar muito mais que falar neste novo ano de 2012! Entre a estreia da novela da noite “Doce Tentação”, a participação em 2 telefilmes, o lançamento do seu álbum de originais e a nomeação para os prémios TV7 Dias, como melhor ator na categoria de série, prevê-se um ano em cheio para o artista!
Vem daí, vamos ficar a conhecer melhor a carreira e os projetos de Ricardo!
Apesar de Portugal te ter ficado a conhecer na Série Morangos com Açucar, a tua carreira artística começa ainda antes disso. Como foi o teu percurso?
Lembro-me perfeitamente da primeira vez que subi ao palco. Comecei a fazer teatro amador na terra da minha mãe, perto do Cartaxo, por volta dos 13-14 anos. Foi aí que senti aquele bichinho da representação, mas nessa altura estudava e jogava futebol federado, por isso não apostei muito nisso. Só aos 17 anos, quando me lesionei no joelho e tive de parar de jogar, é que me dediquei mesmo ao fato de querer ser ator. Durante a recuperação da lesão, no hospital, fui vendo muitos filmes e pus na cabeça que tinha de começar a mexer-me. A partir daí comecei a fazer teatro profissional: estive no Grupo de Teatro da Faculdade de Letras e numa Escola de Teatro onde eu tirei um curso. Foi então tempo de começar a ir a castings e no meu primeiro, fiquei logo com um papel! Era um série interativa, online que me deu muito gosto fazer. No fundo, foi a minha primeira experiência em frente às câmaras. Os Morangos vieram depois: fiz o casting 5 vezes até entrar, mas nunca desisti. Sabia que tinha de começar por algum lado e a série dos Morangos é, sem dúvida, uma das melhores “escolas” do país a nível televisivo. Passei no casting, fiz o workshop e só com o decorrer do tempo é que me apercebi que teria nas mãos um personagem muito cómico e desafiante, que me cativou bastante. Tinha nascido o Leo, tão acarinhado pelos portugueses durante 4 temporadas da série.
Como foi este salto para o estrelato? Que grandes mudanças ocorreram na tua vida?
Tudo! Mudou tudo na minha vida, para melhor, claro. Se as coisas não tivessem acontecido como aconteceram e se eu não tivesse ido para os Morangos naquela altura, também não teria sido capaz de ajudar a minha família como ajudei, nem teria dado o salto que dei a nível profissional. Agora, passados 3 anos de andar nesta vida artística, sou muito abordado na rua, mas sempre com críticas muito positivas e com um grande carinho por parte dos fãs.

Para além do teatro e TV, também passaste pelo cinema.
É verdade, a minha primeira participação no cinema foi na curta-metragem “Carne”, de Carlos Conceição. Foi uma experiência que me fascinou bastante por ser tão diferente da televisão: há uma interação muito mais próxima com o realizador e com o diretor de luz, que nos permite opinar acerca dos planos e construir as cenas em conjunto. Alguns meses depois, a curta estreou no Indie e, para surpresa de todos, fomos premiados com os “Novos Talentos Fnac”. Participei ainda numa outra curta-metragem do mesmo realizador, “O Inferno”, que está agora em 17 festivais espalhados pela Europa e pelo mundo fora.
Estás atualmente em gravações para a telenovela da noite “Doce Tentação” que vai estrear este mês, na TVI. Fala-nos um pouco sobre o teu papel e a experiência que tem sido.
Sim, estou em gravações há mais de um mês e tudo indica que a novela irá estrear a meio de janeiro. Quanto ao meu personagem, diria que ele tem uma grande particularidade, se não muitas! Não sei se está a ser mais difícil do que fazer o Leo, mas é sem dúvida diferente, tendo em conta que o Tomé, o personagem de Doce Tentação, é gago. Para mim, tem sido uma experiência extremamente desafiante como ator e que me tem dado oportunidade de contracenar com artistas fantásticos. Preparei-me bastante antes de começar a gravar e acho que vi o filme “O Discurso do Rei” umas dez vezes! (risos). Quanto à novela, posso adiantar que a história do Tomé é muito bonita, apesar de ele vir dum meio muito dramático e ser vítima de descriminação. Fica o convite a todos os leitores para virem conhecer melhor o Tomé a partir de janeiro, na TVI.
Costumas ver os teus trabalhos na TV e cinema?
Não, de todo. Por ser tão auto crítico, prefiro não ver. Sou bastante perfeccionista e quando faço, está feito, também já não há forma de voltar atrás (risos).
Sabemos também que tens um bichinho pela música e que estás a desenvolver alguns projetos nesta área. Conta-nos tudo!
Estou neste momento a dar os primeiros passos na música, que foi outro bichinho que despertou dentro de mim com a participação nos Morangos. O facto de ter participado em 5 álbuns da série e de ter feito as tours, onde esgotámos os Coliseus de Lisboa e Porto e senti o carinho do público de perto, fizeram-me perceber que o público gosta de me ouvir cantar. Isso deu-me mais confiança neste mundo da música e estou agora a trabalhar num projeto (ainda em fase muito inicial) mas que pretendo que caminhe para um álbum de originais, intitulado “A Viagem”, a sair antes do verão. Neste momento já tenho 5 músicas e planos para gravar 2 videoclips.

E por trás das câmaras, como é a reação da tua família e dos teus amigos? Consegues separar a tua vida pessoal da tua vida profissional?
Consigo separá-las perfeitamente. Orgulho-me de dizer que tenho os mesmos amigos que tinha há 4 anos atrás, antes deste sonho se ter tornado realidade. É claro que fui fazendo novas amizades no meio artístico, mas os amigos de infância mantêm-se até hoje e são aqueles que não vêm as novelas nem ligam muito a essa parte da minha vida, o que também é bom porque a vida não é só trabalho e eles acabam por ser o meu refúgio.
Como é o Ricardo fora das gravações? O que gostas de fazer nos tempos livres?
Sou uma pessoa como as outras na vida real. Faço as mesmas coisas e vou aos mesmos sítios que qualquer outra. Nos meus tempos livres, adoro apreciar o “não fazer nada”. Acordar, sentar-me no sofá e ficar à espera que caia algum plano de última hora com os amigos. Gosto de aproveitar esses momentos de espontaneidade e de me deixar levar. Mas o mais engraçado é que, mesmo nessas alturas, sou um observador nato e estou sempre a observar as pessoas e as situações para aprender com elas e até poder tirar ideias para os meus personagens, ou quem sabe para escrever uma música. Portanto, por pouco que pareça, estou sempre a ter ideias e com projectos em mente!
Quais são as suas expectativas e/ou sonhos para o seu futuro profissional?
Quero muito que as pessoas me vejam como um bom artista completo, e não só como ator, cantor ou compositor. Nesse sentido, o meu objetivo é não estagnar e diversificar o meu trabalho o mais possível. O meu grande sonho é um dia fazer uma longa-metragem em Hollywood, como o Johnny Depp fez o Jack Sparrow, por exemplo. Quero fazer algo marcante ao ponto de deixar o meu nome na História.
Qual foi o melhor momento da tua carreira até hoje?
Sem dúvida o momento em que me disseram que ia ficar nos Morangos com Açucar, foi o dia em que tudo mudou.
Achas que a imagem é um fator decisivo na tua profissão? Tens algum cuidado especial neste sentido?
É claro que a imagem conta muito neste mundo, mas não tenho grandes preocupações com isso no meu dia-a-dia, para além do creme hidratante na cara (um pouco impingido pela namorada, risos). Uso o que gosto e não me preocupo se isso agrada ao público.
Que mensagem gostarias de passar aos jovens que acompanham o teu trabalho e que tenham este sonho de lançar-se no mundo da representação?
Há pouco tempo vi uma frase que me fez muito sentido: “Ter talento não é ter sorte. Ter sorte é que exige talento!”. Ou seja, isto para mim quer dizer que se não procurarmos e não formos em busca daquilo que queremos, seja em que profissão ou área for, torna-se mais difícil alcançar os nosso objetivos. O mais importante é não desistir e ir à luta. Não existem contratempos, existem sim alguns desvios na vida. Para vocês, os mais jovens, lembrem-se de que em qualquer carreira a formação constante é essencial e nunca deixem de querer aprender!

Ficha técnica:
Nome completo: Ricardo Filipe Correia de Sá Martins
Data de Nascimento: 18 de janeiro de 1989
Signo: Capricórnio, com ascendente em Capricórnio
Filme: 21 gramas
Não sais de casa sem: carteira, chaves, óculos, telemóvel e colar
Artista com quem gostasses de trabalhar: Adorava fazer um dueto com o John Mayer, contracenar com Johnny Depp e fazer um filme realizado pelo Sean Penn
Página do facebook: Ricardo Correira de Sá (Leo) – gerida pelo próprio Ricardo!
Viagem de sonho: só viajei 3 vezes de avião: 2 delas com os Morangos (Bruxelas e Cabo Verde) e uma por minha conta, que foi a Cuba. Esta última foi sem dúvida uma viagem de sonho. Mas gostava de dar a volta ao mundo em 80 dias, como no famoso livro de Júlio Verne.



















