
De uma coisa tinha a certeza: não queria uma vida comum. E era no teatro e na representação que se revia. A insegurança deste meio, sobretudo no que toca a trabalho, fizeram-no hesitar mas a vocação, que alimentava desde cedo, falou mais alto.
Chegado aos 25 anos, Marco Medeiros deu outro passo na sua carreira. Com a peça “As Muralhas de Elsinore” estreouse como encenador e aposta agora na sua própria companhia de teatro – Diz Teresa Cinzenta – que fundou com outros colegas.
Marco, como descobriste o teu talento?
Ainda não descobri. (risos)
A tua vocação, então.
Descobri a minha paixão muito cedo.
O meu pai era encenador e eu achava que a minha vida teria obrigatoriamente de passar por aquele meio, porque sentia que algo me puxava para ali. Aos 15/16 anos, quando tinha de tomar a decisão sobre o que é que ia fazer da minha vida e já tinha posto um bocado de parte o facto de querer ser actor, resolvi que se calhar até podia arriscar.
E o que é que te influenciou a correres esse risco?
Não sei bem. Sabia que não queria ter uma vida comum, uma rotina normal. Queria ter algo de diferente que me alimentasse o meu dia-a-dia e sabia que era por aqui, sabia que era este caminho do teatro e da representação. Depois fui para a Escola Profissional de Teatro de Cascais onde estive durante três anos.
Então não houve um momento específico que percebeste claramente que nasceste para ser artista?
Não, eu acho que essa vontade sempre esteve lá mas eu adiava, ia sempre evitando e disfarçando essa vontade, escolhia sempre outro caminho.
Tinhas medo?
Sim.
Tinhas medo de quê?
Do que tenho ainda, da insegurança desta profissão. Tanto podemos estar com um trabalho fixo e ganhar bem como no dia seguinte podemos estar completamente a zeros, sem trabalho, sem perspectivas e a pensar no suicídio (risos).
Já estiveste muito tempo sem trabalhar?
O máximo que estive foi 6 meses.
Ficaste aflito?
Não, porque já me tinha preparado psicologicamente para esta ausência de trabalho. Há sempre aquele medo, será que vem, será que não vem. Ele tem de aparecer de alguma forma, não vou viver eternamente desempregado, mas estava sempre na minha cabeça, que se o trabalho não aparecer eu vou procurá-lo, e foi o que aconteceu.
O que consideras essencial para ser um bom actor?
Diria que há qualquer coisa que não sei exactamente o que é, mas que ultrapassa a dedicação e o profissionalismo. Será talento? Não sei… O que sei é que determinados actores têm qualquer coisa que os distingue imediatamente dos outros, em que ficamos agarrados ao palco,sem conseguir tirar os olhos deles. Isto sim…isto é ser um bom actor. É ultrapassar o dever, e ir mais além do que é pedido.
Inesquecível foi…
…“ter concluído o curso de teatro.
Tivemos três anos muito intensos, vivemos ali quase 24 horas por dia. Entrámos como miudinhos de 16 /17 anos e saímos com 20 anos e de repente vemo-nos adultos ou semiadultos entregues aos leões, ‘agora faz-te à vida e procura’. Por um lado foi bom ter acabado e por outro foi assustador. Eu, felizmente, tive a sorte de ter sido logo convidado – alguns alunos costumam ser convidados para entrar no Teatro Experimental de Cascais, que tem ligação com a escola –, e eu tive a sorte de ter essa garantia.”
Flashes
O maior talento: Ainda não descobri! Lema de vida: Querer sempre mais Um ídolo: Musicalmente tenho o John Mayer, e é o único ídolo que eu tenho A melhor actuação: É engraçado, porque ainda foi na escola. Senti que foi nessa peça que dei o salto, percebi “ah isto é por aqui!” porque foi a peça em que mais saboreei o que fiz. Tempos livres: Gosto muito de música, de tocar, de me divertir. Tenho pouco tempo livre para isso, mas gosto de estar com os amigos, de jogar à bola, ler as peças. Não tenho tempo para ler romances, nem nada. Só as peças, para saber o que é que vou fazer a seguir.
Em estudante era…
… “muito rebelde. Chumbei no oitavo ano, porque não me identificava com a escola, achava que o que estava a aprender não ia ser útil. Burrice minha…”
Comentários (14)
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Fazes bem Marco ,beijinhos e boa sorte par o futuro!
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Parabéns pela entrevista Sara Costa!




















Boa sorte para a tua carreira e muito trabalho Marco e espero que um dia nos encontremos.
grande abraço