Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

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"Plano B" em Energias Alternativas

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"Uma escola... uma turma... um grupo de alunos destinados a tornar o mundo num lugar melhor para se viver… "

Há uma catástrofe iminente a ser travada: o esgotamento dos recursos úteis para a sobrevivência da humanidade.

Embora todos estejamos conscientes deste problema, continuamos à espera, impávidos e serenos, que sejam outros quaisquer a solucioná-lo. Há, portanto, apenas uma consciência teórica sobre o assunto, nunca passando, no entanto, à prática, à acção mais directa e eficaz.

O mundo encontra-se, portanto, num momento decisivo, e há a necessidade urgente de agir no melhor sentido.

Foi a partir destas reflexões acerca do estado de saúde do planeta e do futuro do Homem que uma pequena luz se acendeu para os alunos da turma 12ºA1 do Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas, foi quando... puff: tiveram uma ideia!

Pensaram que, embora sendo tão pequenos no mundo, podiam marcar a diferença e contribuir para alterar o actual estado de dependência dos recursos não renováveis. Assim, criaram um projecto alternativo, ecológico, no âmbito da disciplina de Área de Projecto, que aplicasse os conhecimentos adquiridos na disciplina de Física. Decidiram intitulá-lo de Plano B (por um Colégio de Lamas Saudável e energeticamente Mais Limpo). Durante a ano letivo, a turma trabalhou o tema das Energias Renováveis, explorando-o na vertente da sua formação específica, Biologia, Física e Matemática.

A turma foi dividida em cinco subgrupos, em que a cada um trabalhou diferentes subtemas, construindo um modelo colectivo, onde foi foi dada uma perspectiva global da possibilidade da utilização das energias limpas, contribuindo para a sustentabilidade do nosso planeta.

 

Grupo I) Ladies and Gentlemen, Rock n’Roll!

Quando se olha para um instrumento musical, a nossa atenção é repartida entre o aspecto e o som que produz. Raramente se questiona como foi fabricado e que processos físicos e mecânicos estiveram envolvidos.

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Felizmente, os verdadeiros amantes da arte da música questionam e, pondo mãos à obra, viajando à descoberta das mais remotas origens dos instrumentos. Este foi o caso deste grupo de alunos que desenvolveu um ousado e meticuloso trabalho que consistiu na construção de uma guitarra eléctrica. Foi concebido um desenho original, fruto de um cruzamento de diferentes designs anteriormente concebidos por grandes e renomeadas marcas a nível internacional; o resultado combinou o design extravagante de uma guitarra como a Gibson Firebird, com o classicismo de uma Fender Stratocaster, que lhe proporcionou um look atrevido, já que é uma fusão do que à partida se consideram marcas rivais.

Toda a guitarra foi concebida com o mínimo de custos financeiros para o grupo, e, tendo em conta uma primeira experiência, os resultados foram muito satisfatórios. “É uma guitarra que tem um som muito versátil, com uns graves preenchidos e uns agudos deliciosos!”, disse o experiente professor de música Manuel Gonçalves, acrescentando ainda que “é notório todo o caminho percorrido pelos meus alunos. Tudo começou a partir de um bloco de mogno maciço! E quem diria que algum dia se iria transformar numa linda guitarra!”.

 Toda a guitarra foi trabalhada por processos manuais, envolvendo apenas a utilização de certas máquinas especializadas na perfuração e corte da madeira. Tudo isto permitiu que todos os passos fossem monitorizados ao pormenor, para garantir a inexistência de falhas a nível do produto final.

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Contudo, nem todas as etapas foram fáceis de concluir. Nunca pensámos que fosse preciso dedicar tanto esforço e tempo para avançar com o projecto. Pequenos precalços a nível do desenvolvimento do mesmo, podem representar erros de maior a nível sonoro. Um dos grandes dilemas com que nos deparámos foi a construção ou compra do braço da guitarra. "Optámos pela segunda opção pois, após intensa pesquisa, chegámos à conclusão que mais valia jogar pelo seguro, comprando o braço. A sua construção era demasiado arriscada!”, disse o porta-voz do grupo Rogério Azevedo, que acompanhou o nascimento e crescimento da guitarra. Disse ainda que “Não vamos ficar por aqui! O mundo é o nosso parque de diversões e ainda temos muitas ideias para concretizar. A nossa imaginação não tem limites. A nossa paixão pela música levou-nos a fazer isto, e levar-nos-á muito mais longe. Este projecto começou por ser apenas mais um a enquadrar-se no âmbito da Física 12º, mas para nós é como um sonho tornado realidade!”

Quando questionado do porquê de ser uma guitarra, este responde com moderada graça: “O que mais poderia ser? Somos todos viciados no som do Rock puro! É algo intrínseco a nós! Precisamos de sentir a vibração das cordas nas nossas mãos. É a nossa droga!”

 

Grupo II) Solar Fridge

Este grupo construiu um frigorífico solar - amigo do ambiente - alimentado por um painel fotovoltaico, convertendo energia solar em energia elétrica.

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A finalidade desta iniciativa aliou a ideia de conservação de alimentos à mobilidade e sustentabilidade energética deste sistema autónomo. Este projecto, pautado de inovação e criatividade, contou com o patrocínio da FuturSolutions, empresa especializada na venda de sistemas eléctricos e domótica, que colaborou no desenvolvimento de um protótipo capaz de fazer funcionar qualquer electrodoméstico em qualquer parte do mundo apenas com luz solar.

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A adquada combinação de um painel fotovoltaico, uma bateria, um inversor, um disjuntor, cabos de ligação e, por fim, o frigorífico, permitem resolver um problema de refrigeração de forma ecológica e onde a energia elétrica não é de fácil acessibilidade. O produto final foi pensado para ser oferecido a uma instituição moçambicana, no âmbito de um programa de apoio social levado a cabo pela comunidade escolar do colégio.

 

Grupo III) Vlad city

Os Vlad city criaram uma máquina capaz de produzir energia eléctrica limpa. Utilizando conhecimentos de electromagnetismo, construíram a chamada MMI: Máquina do Movimento Infinito. Como complemento, o grupo integrou a máquina numa maqueta de uma cidade futurista, iluminada pela energia limpa produzida através da MMI.

A Lei de Faraday esteve na base da construção da máquina, que produziu energia por indução magnética criada por ímanes em constante movimento. Deste modo, foram fixados quatro ímanes rectangulares e equidistantes num CD que, por sua vez, estava inserido numa placa giratória (por exemplo, uma Playstation ou um leitor de CDs). Os ímanes foram colocados de modo a que, entre eles, houvesse forças de repulsão, o que criaria um movimento giratório, que seria auxiliado por forças repulsivas criadas por um ímane exterior. Em redor da placa giratória haveria bobinas, que conduziriam a corrente eléctrica induzida para uma bateria. A bateria, por sua vez, armazenaria a energia e distribui-la-ia para a maqueta construída.

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A maqueta da cidade foi construída sob uma placa de madeira de grandes dimensões. Por baixo desta mesma placa, uma outra placa de madeira serviu de apoio à MMI, estando a placa superior elevada e segura por quatro suportes de madeira. Vários elementos da actualidade foram incorporados na cidade, tendo sido todos feitos manualmente pelos elementos do grupo: estradas pintadas a spray preto, jardins e árvores feitos de papel e ramos de árvores verdadeiras, passeios de cartolina, carros talhados a partir de cera de vela, e casas de variados tamanhos e pintadas com diferentes tintas. Como principal foco futurista da maqueta, foram construídos cinco grandes edifícios. As suas estruturas criativas foram inspiradas nos mais modernos edifícios da actualidade, embora o produto final seja da autoria dos elementos do grupo. No entanto, o grande destaque da maqueta vai para as pequenas lâmpadas, simples luzes natalícias, centradas ao longo das estradas, equidistantes entre si, e para as várias lâmpadas colocadas no interior oco de um dos edifícios, cuja singularidade reside nas suas várias janelas assimétricas. É através destas lâmpadas, ligadas à bateria, por sua vez ligada à MMI, que a cidade é iluminada, bem como o interior de um dos edifícios.

Surgiram várias dificuldades ao longo da criação deste projecto. O principal problema consistiu em conseguir o funcionamento completo e útil da MMI. Eventualmente, este problema não foi ultrapassado, visto que os ímanes que o grupo possuía não eram suficientemente fortes, verificando-se ser impossível manter a placa giratória constantemente nivelada. A cidade foi iluminada pela energia acumulada na bateria. O funcionamente da máquina traduziu-se pela criação de uma diferença de potencial considerável. Não sendo um projeto acabado, foi sem dúvida bem sucedido, tendo o grupo conseguido implementar a sua ideia, marcando a diferença com um princípio alternativo e original.

 

 
 

Grupo IV) Hydraulic System

Este grupo construiu um protótipo de uma barragem hidroeléctrica. Dois recipientes, um a montante (nível superior) e outro a jusante (nível inferior) entre os quais a água vai circular, no sentido natural para facilitar o seu escoamento.

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Para o aumento da pressão exercida na água, foi utilizada uma bomba de aquário que permite a recirculação da água, levando-a até à turbina, através de uma torneira que simula a abertura das comportas de uma barragem em grande escala.

A energia potencial gravítica da água converte-se em energia cinética das pás da turbina. Esta ao estar ligada a um veio fará este girar também. O veio foi acoplado a uma polia de nylon branco, revestido a borracha, criando aderência entre a polia e o dínamo. Se a velocidade de rotação for suficiente, o dínamo produz energia traduzida numa diferença de potencial de 6 volt.

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O grupo teve o apoio de instituições credenciadas, tal como a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), realizou uma visita de estudo à Barragem do Carrapatelo, com o objectivo de se familiarizar com a tecnologia dos processos.

 

Grupo V) Disco Pack

Este grupo construiu uma “mochila solar”, à qual está acoplado um painel fotovoltaico, que produz a energia eléctrica necessária para carregar ou colocar a funcionar dispositivos eléctricos, tais como telemóveis, colunas de som, computador portátil, etc. foi criada uma parceria com o grupo que construiu a guitarra eléctrica, em que foi utilizada a mochila como altifalante/amplificador da guitarra.

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A energia elétrica produzida pelo painel foi armazenada numa bateria, sendo posteriormente disponibilizada em períodos de ausência de luz. Desta bateria, a energia parte para um transformador que torna compatível, com o amplificador, a diferença de potencial criada nos terminais da bateria com a diferença de potencial a que funciona o amplificador. O amplificador (com as opções de mudança de tom, volume e distorção) pode ser ligado à referida guitarra ou a outros dispositivos de áudio (telemóveis, MP3, Ipod’s e microfones). Todos estes dispositivos poderão ver o som amplificado e reproduzido numa coluna incorporada na mochila, que também está equipada com saídas para “phones” e isqueiro.

Citando o grupo, "esta foi uma ideia fantástica, prática e acima de tudo útil, apesar de necessitar de uns pequenos aperfeiçoamentos técnicos. É uma excelente mochila para levar para a praia, assim como para um campismo,sendo uma óptima opção para qualquer actividade “outdoor”".

 

O fim de um ano de trabalho, com períodos de alento e desânimo, estamos a chegar ao fim, certos de que contribuímos para tornar o nosso planeta um bocadinho mais azul.

 

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