Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

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Buraka Som Sistema lançam novo álbum Komba

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Com um som comum às periferias do mundo e com uma variedade de estilos musicais que se fundem na dance music, assim se assumem os Buraka Som Sistema.

Depois de passado o fenómeno de temas como "Yah" e "Wegue Wegue", a banda apresenta agora o álbum Komba, o seu último trabalho que "representa a ideia de unidade como banda".

Kalaf e Riot, membros da banda, abriram portas à conversa com a Forum Estudante e partilharam a história deste projecto de sucesso.

Como é que começou este projecto e como foi o vosso percurso desde então?

Kalaf: O projecto começou quando eu, o Riot e o J'Wow decidimos ter uma residência mensal num pequeno clube em Lisboa que se chamava Mercado. Nesse clube, o conceito da noite era tocar música que fizesse parte das várias periferias do mundo, sendo que o som que ligava as periferias de Lisboa, Luanda e Rio de Janeiro era o kuduro. Foi então que dicidimos ir à Praça de Espanha comprar uma série de CDs, fazer remixes e tocar nessa noite no clube Mercado. O Riot e o J'Wow nos pratos, eu e o Conductor no microfone e aquilo não era mais que um sound system clássico em jeito muito caótico. Criámos um tema original, o "Yah" com a Petty, e a partir daí as coisas começaram a ganhar forma. Estávamos em 2006.

Alguma vez pensaram que o projecto pudesse chegar tão longe?

Riot: Ao início ninguém calculava até onde poderíamos chegar, mas sempre houve uma vontade enorme de vingar na música. A ideia era fazer algo que nós gostássemos, que fosse válido e que fizesse sentido, mas que nunca tivesse sido dado ao público. Penso que a mais valia de Buraka é que não se limita a um estilo de música, experimentamos de tudo até ver o que funciona e valorizamos essa mistura.

E se tivessem de definir a vossa música, como seria?

Kalaf: Música electrónica, dance music. Pela simples razão que é uma definição muito abrangente, que nos permite fazer que quisermos dentro destes moldes. Nós sentimos muito a necessidade de fazer coisas diferentes e, como tal, não podemos estar presos a nenhum estilo.

Como nasceu Komba, o vosso ábum mais recente?

Riot: Este álbum foi mais uma surpresa para nós. Não a sua concepção, pois essa foi muito bem pensada, Dos 11 meses de incubação do projecto, 4 semanas foram passadas fechados em Monchique, onde chegámos ao conceito final do Komba. Sabíamos muito bem aquilo que queríamos fazer com este trabalho, desde a mensagem das letras até à participação dos convidados que trabalharam connosco. Mas foi uma surpresa pela reacção do público, pois, mesmo depois de termos passado a barreira do "fenómeno", este é um álbum que agrada àqueles que não gostam de Buraka, e continua a agradar às pessoas que já gostavam.

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Há algum palco que tenha tido um "sabor especial" ao pisar?

Kalaf: O Coliseu dos Recreios, no passado dia 10 de Novembro foi, sem dúvida, especial. Não só por ser o Coliseu em si, mas pelo álbum em questão, o Komba, por ser a nossa cidade e por, pela primeira vez, termos tido um público bastante eclético e transversal: desde os meninos de Cascais, a uma faixa mais urbana dos subúrbios de Lisboa, até jovens de 40 anos misturados com jovens de 15. Foi especial o facto de conseguirmos reunir todo o público que gosta de Buraka a celebrar este novo disco que, para nós, traz a ideia de unidade como banda.

Como é que vocês veêm o panorama actual da música nacional?

Riot: A nível de oportunidades e apoios, penso que são muito poucos, quase inexistentes. Tudo o que nós fizemos foi por mérito próprio e porque fomos atrás dos nossos objectivos. Hoje em dia os músicos têm de saber fazer um pouco de cada coisa. Os tempos são cada vez mais rápidos e não basta ser muito bom a tocar guitarra, é preciso saber gravá-la e saber vendê-la. A internet, através das redes sociais e dos blogues, é um óptimo meio para dar a conhecer o nosso trabalho, de por a música a circular pelo mundo e de obter a reacção do público, algo extremamente importante, principalmente quando se está a começar.

O vosso sucesso não é só nacional mas também internacional. Como é sentir esse carinho lá fora?

Riot: São realidades muito diferentes. O sucesso lá fora ainda é mediano, comparado com o de Portugal, e tocamos para nichos de mercado de países maiores, num ambiente mais trendy e underground. É diferente. Mas o maior carinho que recebemos de fora é realmente o facto de nos incluirem na Dance Music mundial e de nos porem a tocar no mesmo palco que grandes nomes do Dubstep, do Tecno e do Drum'n'base.

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Qual foi a sensação de serem reconhecidos com um Best Portuguese Act pela MTV e com um Globo de Ouro de melhor banda?

Riot: O melhor disso tudo é sem dúvida a valorização dada a todo o nosso trabalho, mais do que a estatueta em si. Mas é claro que é uma óptima sensação e um grande orgulho, acho que toda a gente gostava de ter uma em casa (risos).

Para além destes dois concertos nos Coliseus de Lisboa e Porto, há alguma tour agendada?

Kalaf: No próximo ano, sim. Os coliseus foram um pequeno presente para o público português para comemorar a saída do álbum. Mas em Janeiro arrancamos 15 dias para os EUA, onde vamos abrir a tour num cruzeiro pelas Caraíbas e fazer mais algumas datas por lá. A digressão europeia começa então a meio de Fevereiro e é claro que Portugal está incluído nos planos!

Quais são as vossas expectativas ou sonhos para o futuro profissonal?

Kalaf: Nós vivemos muito a filosofia de "um dia de cada vez" e de apreciar o momento. É óbvio que temos ambição, mas mais no sentido de sermos claros no nosso trabalho, de termos um som próprio e de conseguirmos delinear um ramo chamado "Buraka" nessa grande árvore que é a música electrónica. Agora, o que queremos é fazer boa música e tocar o máximo possível. E, mais tarde, ganhar credibilidade no que toca à produção para vir a produzir outras bandas.

 





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