Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

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Afeição pelo rock

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X-Wife_-_foto_de_Rui_Aguiar_5mb

São um dos melhores exemplos da tendência indie-rock made in Portugal. À beira de comemorar 10 anos de existência, os X-Wife divertem-se a criar música nova e ressurgem contagiantes e afectuosos, com uma sonoridade mais dançável. Com a música nacional como pano de fundo, vem descobrir melhor uma banda reconhecida fora de portas.

Acabaram de lançar o vosso quarto álbum de originais, “Infectious Affectional”. É um trabalho que vem na linha dos anteriores, ou marca alguma ruptura com a vossa sonoridade?
Sinceramente, não pensamos se marca uma continuidade ou uma ruptura. Achamos que é um álbum bastante distinto do anterior, em que tivemos uma abordagem diferente em termos de sonoridade sem, por um lado, ter a preocupação de romper com o passado e criar algo novo, nem por outro de manter uma espécie de “identidade” dos X-Wife. O facto de partilharmos ideias ao ouvir muita música nova e de estarmos em constante sintonia uns com os outros ajuda a que este seja um processo muito natural.

Porquê “Infectious Affectional”?
Existem várias razões. Primeira, a sonoridade: “X-Wife Infectious Affectional” não é fácil de dizer, e sendo foneticamente interessante, gostamos de como soa. Para além disso, “Infectious” simboliza, por um lado, a música contagiante – “Keep on Dancing” [nome do primeiro single], está tudo interligado – e, por outro, “Affectional” o lado afectivo das canções e do contacto com o público. Deu-nos muito gozo fazer este disco, e à medida que íamos criando, mais queríamos criar… contagiou-nos.

E em relação aos vossos próximos concertos, vai haver novidades?
Em primeiro lugar, o destaque natural vai para o novo álbum, mas também vamos buscar singles antigos e até alguns inéditos. Por vezes, iremos tentar incorporar elementos diferentes nas canções, para que encaixem melhor no espectáculo. Os músicos serão os mesmos, estamos muito contentes com o nosso plantel (risos).

Já levaram a vossa música pela Europa e pelos Estados Unidos da América. Quais são os objectivos dos X-Wife para a nova tournée?
Neste momento estamos concentrados em Portugal. É aqui que vendemos os discos, que temos todo um trabalho com a nossa editora ao nível da relação com a imprensa e de, fundamentalmente, chegarmos ao público e termos sucesso junto dele. Espanha é um objectivo paralelo, aliás vamos voltar a tocar em Barcelona durante este mês. A internacionalização é o objectivo seguinte, que vamos sempre tentando alcançar, embora seja cada vez mais difícil a aposta nas bandas, pelas dificuldades que a indústria atravessa.

Como vêem a afirmação da nova música portuguesa?
Respeitamos todos os artistas portugueses e achamos importante o aparecimento de novos projectos e tendências, e sem dúvida que há qualidade naquilo que se está a fazer no nosso país. Quando vimos Os Golpes a tocar ao vivo, pensámos que se fôssemos mais putos e andássemos a correr festivais e concertos, seria certamente uma das bandas que gostaríamos de seguir. Também gostamos do The Legendary Tigerman, e vi o videoclip de uma banda à qual vou ter mais atenção a partir de agora, os The Glockenwise, muito frescos e curiosos pela forma como, sendo tão novos, incorporam no seu som elementos muito retro.

Qual é a vossa opinião sobre a associação do trabalho dos músicos a causas sociais?
No caso dos X-Wife isso jamais aconteceria, porque cantamos em inglês, logo não faria qualquer sentido a nossa música ser usada como instrumento de intervenção. Para além disso, não somos propriamente uma banda com vocação política – se virmos o caso dos Deolinda, têm uma ligação muito mais forte ao povo, sobretudo pelas suas letras. Em todo o caso, respeitamos quem faz ou procura fazer da sua música um instrumento político, com a consciência que o que nós queremos fazer não é de todo manifestar as nossas ideologias nessa área, por muito que por vezes nos apeteça.

Perfil

Membros:

  • João Vieira (Voz e Guitarra)
  • Fernando Sousa (Baixista)
  • Rui Maia (Sintetizador e Teclados)

Os X-Wife na escola

“Desde cedo que a música é a nossa prioridade, por isso tudo o resto passava um pouco para segundo plano. Na escola, não fomos brilhantes nem medíocres, mas sim alunos normais que tiveram as suas fases mais rebeldes. E enquanto banda sempre fomos bastante atinados, os X-Wife não tomam drogas nem têm por hábito muitas das práticas normalmente associadas ao estereótipo ‘Sex, Drugs & Rock’n’Roll’.”





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