Blade Runner, 2049. Os androides sonham com sequelas?

  

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35 anos depois, o icónico universo de Blade Runner está de volta. Com estreia marcada para amanhã, a sequela carrega o peso de se seguir a um filme de culto que apaixona milhões de pessoas. Conseguirá o realizador Denis Villeneuve corresponder às expectativas?

A história de Blade Runner nasce numa pergunta pouco habitual: “os androides sonham com carneirinhos elétricos?”. Este é o título do romance publicado em 1968 por Philip K. Dick e que segue a história de Rick Deckard – um caçador de recompensas que tenta capturar seis androides que estão fugidos das autoridades. 

Neste universo, os androides (ou replicants) são utilizados como escravos. Este ponto de partida permite a exploração de um tema principal: “o que é ser humano?”. O filme segue as mesmas pisadas, com Deckard (Harrison Ford) a ser confrontado com diversos dilemas morais, na sua caça ao androide.

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Frame do filme de 1982, realizado por Riddley Scott

Ao humanizar a máquina (e desumanizar a humanidade), Blade Runner segue um caminho de linhas esbatidas. O momento alto desta ambiguidade está presente nas (humanas) palavras de um dos androides: “Vi coisas que vocês não acreditariam. […] Todos esses momentos ficarão perdidos no tempo, como lágrimas na chuva”.

2049 ou 30 anos depois
Blade Runner 2049 retoma os eventos do filme original, trinta anos após o desaparecimento de Rick Deckard. Desta feita, o personagem principal é K. (Ryan Gosling) um agente policial que, durante uma investigação, vai encontrar o antigo caçador de recompensas. Do enredo, pouco mais se sabe. Contudo, Harrison Ford aumentou as expectativas ao dizer que o guião desta sequela é “a melhor coisa que alguma vez leu”.

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Para além da inclusão de Harrison Ford no elenco, Blade Runner 2049 conta também com Riddley Scott no papel de produtor e com o guionista original Hampton Fancher. A realização fica a cargo de Denis Villeneuve que, recentemente, apresentou o muito elogiado O Primeiro Encontro (Arrival). Todos estes elementos têm aumentado a expectativa relativamente ao filme que estreia no dia 5 de outubro.

O filme de 1982 marcou uma geração de espectadores com uma linguagem visual inovadora e uma banda sonora marcante (Vangelis). Um dos desafios será agora “homenagear o original” e, simultaneamente, trazer “elementos inovadores” que honrem a história, relembra o The Guardian.

Os dois trailers revelados até ao momento parecem indicar que esse objetivo foi cumprido. A estética e sonoridade está alinhada com o original, com o acréscimo de um compasso mais próximo de um filme de ação. As reações têm sido positivas: Brian Raftery, da revista Wired, por exemplo, destaca como “Blade Runner 2049 promete o mesmo tipo de mistérios” que o filme original.

O comentário mostra como as comparações serão inevitáveis e, em declarações ao Hollywood Reporter, o realizador já admitiu estar conformado com o facto de “as hipóteses de sucesso serem muito curtas”: “não importa o que fizermos, o filme será sempre comparado com o primeiro que é uma obra-prima”.