Portugal Social On The Road #3: Unir para reinar

  

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A diversidade do setor da Economia Social esteve em destaque no terceiro dia do PsoTR, com a visita a cooperativas agrícola e cultural.

É em Ponte da Barca, perto de Ponte de Lima que encontramos a Minho Berry Coop – a cooperativa de pequenos frutos que, desde 2015, tem agregado pequenos produtores. O Presidente, Fernando Azevedo, realçou, dirigindo-se aos visitantes do PsoTR, que a decisão nasceu do facto de “o mercado da fruta e dos pequenos frutos não estar muito organizado”.

Ainda que o preço para o consumidor seja elevado, acrescentou, a quantia paga aos produtores é três a quatro vezes inferior. Pelo meio, literalmente, muito dinheiro fica para os intermediários. Daí a necessidade, para Fernando Azevedo, de apostar na organização e na união: “apenas juntos conseguiremos negociar”. De resto, esta posição concertada dos produtores, juntamente com a regulação do mercado, são as formas elencadas pelo presidente da cooperativa para tornar o preço mais baixo e o produto mais acessível ao consumidor. 

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Numa primeira apresentação da atividade da Minho Berry Coop aos participantes desta academia que percorre a Economia Social, o administrador Raúl Pinheiro destacou que o setor agrícola em que a cooperativa se move tem características específicass. “O Norte do país é composto por minifundios”, salientou, acrescentando é desafiante passar de “uma agricultura de parcelas para uma agricultura de escala”. 

O crescimento da cooperativa é, contudo, assinalável. Desde a sua fundação, em 2015, a produção (sobretudo de mirtilos mas também de groselha ou framboesa) aumentou exponencialmente – das 5 toneladas de frutos negociadas no primeiro ano, a Minho Berry Coop prepara-se para registar o seu ano mais produtivo com uma previsão de cerca de 130 toneladas para 2018.

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A explicação avançada pelos responsáveis passa pela maturação das explorações dos cooperantes que são, na sua maioria, jovens agricultores. Por outro lado, o número de agricultores da Minho Berry Coop também cresceu: hoje, são 44 cooperantes, que exploram mais de 55 hectares de terreno.

Para que o crescimento possa ser sustentado, recordou o presidente aos participantes, será necessário que uma cooperativa continue a fazer investimentos e a apostar na inovação. É por essa razão que a cooperativa se prepara para explorar uma marca que aposta na transformação dos pequenos frutos para a produção de compotas, licores ou chocolates, por exemplo.

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Na altura da fundação, recordou ainda, a escolha pelo formato da cooperativa não foi acidental. Para além das "vantagens fiscais e contabilísticas" há ainda um aspeto fundamental, frisou: "é o formato mais justo – a cooperativa está na mão de todos e todos estão no mesmo patamar”.

Juntos na Jangada Teatro
Quando falava aos participantes sobre as formas de criação de uma narrativa, um dos Diretores da Jangada Teatro, Luís Oliveira, destacou que “nada é por caso”: “É tudo uma questão de como estruturamos a nossa história”.

O início de conversa com os representantes desta companhia de teatro profissional sediada na vila de Lousada teve pontos em comum. Recordando o início da atividade desta cooperativa, em 1999, Luís Oliveira, realçou a importância de planear e estruturar a intervenção. “Na altura, conhecemos várias localidades que não tinham [as mesmas] condições para albergar uma companhia profissional de teatro”, explicou. Na região do Tâmega e Sousa, realçou, não existia (nem existe) nenhuma outra companhia profissional, numa área composta por 11 concelhos.

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A conversa foi acompanhada com a descrição do trabalho artístico realizado pela Jangada Teatro

Em Lousada, acrescentou, a Jangada Teatro encontrou um concelho “com muitos jovens” e espaços adequados para trabalho administrativo, ensaios e realização de espetáculos, por exemplo. Hoje, a companhia consegue não só manter a sua atividade em Lousada (com espetáculos e formação para público jovem e adulto) como também “exportar para o Mundo”, realça Luís Oliveira, com espetáculos realizados em quatro continentes.

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A experiência internacional relaciona-se com outro dos pontos salientados pelo diretor: a necessidade de evolução. O trabalho realizado no continente asiático, por exemplo, permitiu à companhia aprender mais sobre técnicas de marionetas. “Podemos sempre aprender: uma das várias valências que temos é aprender a fazer outras coisas”.

Na conversa mantida com os participantes, os membros da Jangada Teatro salientaram ainda algumas ideias como a procura da mais-valia, a pesquisa sobre as condições do contexto ou a capacidade de acreditar num projeto. Luís Oliveira referiu o Teatro do Montemuro – uma companhia que realiza a sua atividade numa aldeia de 50 habitantes – como um exemplo de que as ideias são possíveis de ser implementadas. “Precisamos de nos perguntar: Que ideia é que tenho? E é necessário desenvolvê-la e acreditar nela – se eu disser uma mentira [a mim mesmo] três vezes, passa a ser verdade”, referiu. 

A visita continuará durante o resto da tarde, com a visita aos espaços da Jangada Teatro e o conhecimento dos seus diferentes projetos e ramos de atividade.