Sea: «A minha vida é tãoooo normal!»

  

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Sea diz-se uma "nerd" de filmes de terror, apaixonada por bandas sonoras e com vontade de experimentar ser a atriz sobrevivente num slasher. É youtuber, autora de livros de auto-ajuda e de poesia bem triste, compositora e cantora. Prestes a lançar o seu primeiro CD, a rapariga com nome de mar e cabelo a condizer, confessou-nos que sentia falta da Música na sua vida e o que podemos esperar dessa estreia.

Num formulário, o que escreves no campo da "profissão"?
Teria de fazer uma lista de profissões. Para além de ser youtuber também tenho a parte da música, que é bastante forte, e antes disso era compositora. Ao mesmo tempo trabalho em marketing digital. Sempre tive vontade de ser um bocadinho de tudo. É divertido experienciar coisas diferentes. Só assim consigo descobrir aquilo que sou e do que gosto, o que me faz sonhar. Gosto de descobrir um bocadinho mais de mim todos os dias.

Muitos jovens aspiram ser youtubers. Que dicas lhes dás?
Ser youtuber é uma grande responsabilidade, é um trabalho sem fins de semana nem férias. Tens de saber imensas coisas: filmar, mexer numa câmara, perceber de iluminação, planear conteúdos, fazer um guião, pesquisar, editar. Exige um conjunto de skills muito grande. As pessoas não têm noção do quão exigente é. Sou mesmo perfeccionista. O meu conselho é serem eles próprios e não tentarem copiar o que tem sucesso. Temos de ser genuínos. Os teus viewers estão ali para te ver e não a outra pessoa. Só vais ter sucesso se te conetares com o espetador.


Vídeo do canal de Youtube de SEA3P0

Tens bloqueios criativos?
Todos os dias. Estou sempre a lutar contra isso. Às vezes é difícil estar sempre feliz nos vídeos e transmitir essa autenticidade quando não estou assim a 100%. Também há aquela pressão de: "OK, e agora o que posso fazer de melhor? O que vem a seguir?".

Sentes responsabilidade por teres uma audiência tão jovem?
Não gosto de ser tomada como um exemplo pois não sou perfeita, tenho os meus defeitos como todos. Apenas quero criar um espaço na Internet onde as pessoas consigam acreditar nelas próprias e que depois tentem seguir os seus sonhos. Um espaço divertido, onde não importa quem tu és, qual a idade ou a religião. Ali tudo é possível, é um espaço acolhedor, onde todos se apoiam.

Até que ponto tens uma vida glamorosa?
Tenho a possibilidade de fazer aquilo que quero, de ter coisas de que gosto, de poder investir nas coisas que quero. Mas, honestamente, a minha vida é tãoooo normal! Não quero ter uma vida assim tão glamorosa porque quero manter a conexão com as pessoas que me seguem. Tenho a noção de que imensas pessoas vivem com menos de 500 euros por mês.

Como lidas com a falta de privacidade associada à fama?
Não me incomoda. Estou preparada. Estou muito grata por ter esses problemas de privacidade porque isso só quer dizer que tenho sucesso. É tão fixe poder estar com as pessoas. Sinto-me feliz sempre que me pedem uma foto ou um abraço. Tenho mesmo muita sorte. É o mínimo que posso fazer por quem me apoia. Tento não levar isto por garantido. Não sei até quando é que isto vai durar. Daí estar muito grata por, independentemente do futuro, poder ter esta experiência especial. De qualquer forma, gosto de fazer muitas outras coisas. Agora vou fazer aquilo que realmente quero: música, performance, dança. Estou muito entusiasmada com esta nova fase da minha vida.

Como é que a música surgiu na tua vida?
Ui, adoro música! Sempre tive uma paixão tremenda por bandas sonoras. Quanto ao canto, sempre tive uma voz diferente. Num casting para um musical da escola, a minha professora disse-me que a minha voz era horrível e que eu devia parar de cantar. Levei isso bastante a sério. Não cantava nem no banho. Fiquei com um trauma gigantesco, cheia de vergonha de mostrar a minha voz. Até que um dia surgiu um casting para uma banda – não penso antes de dizer que sim às coisas porque se pensar já não as faço – e assim entrei para os Lionskin. Foi uma grande aventura, o momento em que voltei a gostar da minha voz. Agora decidi que faltava essa parte da minha vida. Também escrevo poesia, um lado mais emocional, que muitas pessoas não conhecem. Adoro escrever sobre coisas tristes.


Videoclip do single "Player 2" (Fonte: Canal do Youtube SEA)

Estás a gravar o teu 1.º álbum. O que podemos esperar?
Uau! Está a ser uma experiência incrível. Trabalhei com várias pessoas talentosas na criação dos temas. Temos música pop, menos pop, temas dançáveis e ainda uma balada lindíssima. Mal posso esperar para mostrar. Estou mesmo orgulhosa do álbum que vai sair em breve. Já imaginei a apresentação ao vivo e vai ter muita dança, entretenimento, cor. Vai ser um show super divertido.

Em janeiro editaste 'Como Ser Um Unicórnio'. Qual é a mensagem desse teu 1.º livro?
Adoro escrever. Aliás, estou a escrever um livro desde os 14 anos, uma história mesmo incrível que tenho de publicar. Quando fiz esse meu 1.º livro sabia que a minha comunidade de fãs estava a passar imensos problemas com bullying, uma situação horrível pela qual passei. Nunca me senti tão sozinha. O bullying fez-se sentir tão pequena. Decidi ajudar de alguma forma as pessoas vítimas de bullying. Quis abrir um canal de comunicação entre pais e filhos, estudantes e professores.

Gostavas de ser atriz?
Adorava. Sou uma nerd gigantesca de filmes de terror. Mesmo, mesmo. Já vi quase todos. Quando sofria de bullying passava muito tempo em casa, a ver filmes, em vez de sair. Queria ser realizadora de filmes de terror. Foi por isso que fui estudar para os EUA. Adoraria participar num filme como uma mulher poderosa e "badass", ou como uma "final girl" num filme de terror, a rapariga que sobrevive num "slasher". Quem sabe?!

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