Arquivo.pt: 10 anos a viajar pelo passado

  

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Assinalando o 10.º aniversário do arquivo.pt, o evento “Arquivo.pt: Novas formas de viajar ao passado” incluiu uma reflexão sobre o papel desta ferramenta no estudo do passado, do presente e do futuro.

No total, são mais de 4300 milhões de ficheiros armazenados, numa estrutura que inclui uma memória de 11 Terabytes, divididos ao longo de 75 computadores. Os dados foram salientados por um dos fundador e atual gestor do Arquivo.pt, Daniel Gomes, durante uma intervenção em que explicou alguns dos detalhes envolvidos no funcionamento desta ferramenta que arquiva conteúdos públicados online desde 1997. 

Toda esta informação, sublinhou Daniel Gomes, é passível de ser pesquisada. Um detalhe muito relevante na atividade deste tipo de arquivos digitais, uma vez que, ressalvou, recolher e armazenar informação não é suficiente: “ao apenas guardar, não estamos a preservar”. Por essa razão, qualquer utilizador poderá visitar o website arquivo.pt e “viajar ao passado”, consultando muitos conteúdos que, entretanto, deixaram de estar disponíveis.

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Daniel Gomes, gestor do arquivo.pt, realçou a importância de garantir o acesso aos conteúdos arquivo

O passado e o presente do arquivo
A ferramenta começou por ser um projeto académico, sendo que, em 2007, foi incorporada na atividade da FCCN, uma das unidades da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O evento de hoje serviu para celebrar o décimo aniversário da plataforma, bem como dar a “conhecer a experiência que dez anos trouxeram ao trabalho de preservação do património digital português”, salientou a organização.

Conforme destacou, na sua intervenção, José Pacheco Pereira, existe “um enorme valor da memória para o estudo do passado e do presente”. Por essa razão, a ferramenta arquivo.pt assume-se como “uma iniciativa fundamental”, acrescentou, não só no sentido estrito da preservação dos objetos digitais, como também na “memória dos comportamentos e da sociabilidade”.

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José Pacheco Pereira realçou a importância da memória (Créditos: FCCN)

Detentor de uma biblioteca e arquivo pessoal que agrega objetos físicos e digitalizados (Ephemera), o investigador realçou ainda a importância de “aumentar a colaboração entre arquivos digiais, e físicos”, com o objetivo último de “dar poder à memória”.

No mesmo sentido, um dos fundadores do Internet Memory Foundation, Julien Massanès, deu alguns exemplos das potencialidades do armazenamento e preservação de conteúdos online, para efetuar vários tipos de análises em áreas de estudos como economia, questões de género ou até design. O exemplo do arquivo.pt, destacou, é um exemplo de uma boa-prática a nível europeu que “deve ser mais conhecido”.

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Julien Massanès destacou as qualidades do arquivo.pt (Créditos: FCCN)

E o futuro?
Durante este evento foi ainda anunciada a abertura das candidaturas ao “Prémio Arquivo.pt 2018” que tem como “objetivo de levar a comunidade a desenvolver projetos de investigação que envolvam este recurso”. Segundo a informação avançada, o regulamento será publicado em breve e as candidaturas estarão abertas nos primeiros quatro meses de 2018, com o primeiro prémio a ser fixado nos 10.000€.

O evento incluiu ainda uma vertente formativa, com dois workshops a serem dinamizados durante a tarde. O primeiro foi centrado nas formas de realizar trabalho de investigação utilizando esta plataforma, contando com o testemunho de três investigadores que desenvolvem projetos nas áreas da comunicação social, de ciências da informação e das ciências sociais.


Daniel Gomes explica o funcionamento do arquivo.pt (Fonte: Canal do Youtube - Arquivo.pt)

Destaque ainda para o último workshop do dia, onde três responsáveis da equipa Arquivo.pt explicam aos participantes “formas de preservação e acesso à memória da web”.

Na descrição do evento, a organização define o arquivo.pt como “um convite a navegar no passado, mas sempre com olhos postos no futuro”. A passagem do tempo, realçam, apenas aumentará o seu valor: "o Arquivo.pt já é grande hoje. Imagine-se daqui a um século”.