A riqueza que se esconde no oceano

  

 

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O terceiro dia da Semana Tanto Mar foi centrado na atividade económica ligada aos oceanos. Com passagem por várias empresas penichenses, o dia reservou ainda uma visita a um centro de formação e uma conversa com empreendedores.

A primeira paragem fez-se na fábrica de peixe da Auchan que abastece de pescado 33 lojas espalhadas pelo país. A receção ficou a cargo da responsável pelo peixe fresco/embalado, Ana Silva, que levou os participantes numa viagem pelo mundo da receção e preparação do pescado – uma “atividade muito importante para esta região”, explicou. 

Diariamente, esta plataforma recebe as encomendas de cada um dos balcões das lojas Auchan. Algo que se explica pela proximidade “à maior lota do país, com a maior diversidade de pescado” – facto que sustenta a opção estratégica da empresa. A visita contemplou a passagem pelas zonas de corte, amanho e embalamento.

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Um dos maiores aliados nesta atividade, explicou Ana Lourenço, é o gelo, ao permitir prolongar o tempo de frescura do pescado. O melhor tipo de gelo, acrescentou, é o laminado, uma vez que permite “evitar danos no músculo do peixe”.

Ainda durante a manhã, os cinquentas participantes da Tanto Mar avançaram mais um pouco pelo mundo da transformação do pescado, ao visitar a empresa Omnifish. Durante a passagem pelas instalações, uma das responsáveis da empresa explicou todo processo de transformação, revelando as técnicas envolvidas em alguns dos produtos mais recentes como as espetadas ou os hambúrgueres de peixe.

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A doca e a lota
Depois de almoço, a rota da economia do mar continuou pela Docapesca – uma empresa pública que acolhe estruturas destinadas a pescadores, empresas e consumidores. Conforme explicou a bióloga marinha Carla Fernandes, é também aqui que se encontra “uma das maiores lotas de Portugal Continental”. “Não é a que tem maior quantidade de pescado mas a que gera maior valor de mercado”, acrescentou, salientando que este é um dado "indicativo da qualidade e diversidade” do pescado.

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Para além de incluir armazéns para pescadores e empresas, a Docapesca integra ainda um Centro de Investigação do Politécnico de Leiria (o MARE), bem como viveiros para santolas e sapateiras. Tempo ainda para uma passagem pela lota, onde diversos compradores licitam lotes de peixe. Neste leilão, o preço é decrescente, ou seja, começa fixado num preço máximo e desce até que alguém avance para a compra.

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Destaque ainda para alguns contentores espalhados pela doca e que integram o projeto da Docapesca “Pesca por um mar sem lixo”. Depois de uma investigação conjunta com a Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, concluiu-se que cada embarcação deixava, em média, 20 litros de lixo no mar, por viagem. Por essa razão, criou-se este projeto de sensibilização para a recolha e separação dos resíduos que, revelou Carla Fernandes, foi entretanto alargado a outros portos como o de Aveiro, devido ao sucesso da iniciativa.

Formar para o mar
Pelo final da tarde, realizou-se uma visita ao FOR-MAR – um centro de formação ligado à maioria das profissões do mar. Pesca, transportes ou segurança são apenas alguns dos exemplos dos sectores incluídos na oferta formativa.

A segurança esteve mesmo em destaque durante a palestra do formador Pedro Ferreira – “Saúde, Higiene e Segurança no Trabalho a Bordo das Embarcações” – onde foram debatidos algumas das questões relacionadas com as condições de quem trabalha no mar.

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A segurança, realçou Pedro Ferreira, “começa em terra”, através do respeito das normas e a utilização dos equipamentos indicados. Neste âmbito, o setor das pescas apresenta números "algo preocupantes": dos cerca de 17 mil pescadores em atividade, cerca de 1000 sofrem acidentes de trabalho, por ano. “Isto é terrível”, reforçou o formador, uma vez que “não há nenhum setor com estes números, a não ser o da construção civil”.

A visita ao FOR-MAR incluiu ainda a passagem pelos diversos espaços deste centro, nomeadamente pelas salas de formação preparadas para as áreas dos diferentes tipos de cursos ministrados (informática, cozinha ou desenho, por exemplo). 

Para depois de jantar, ficou reservada uma conversa sobre uma das outras formas de rentabilização económica dos recursos marinhos: o turismo. Em concreto, foi apresentado um projeto de aproveitamento do potencial turístico da Lagoa de Óbidos.

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Presente na sessão, o docente do Politécnico de Leiria, Mário de Carvalho, explicou que uma “mudança de paradigma” fez com que “grande parte dos jovens tenham licenciaturas e cursos superiores”, aumentando assim numa maior competição pelo emprego. Neste contexto, é reforçada a importância das soft-skills (competências transversais), onde se integram, entre outras, as capacidades empreendedoras, concluiu.