Academia IPStartupWeek: do laboratório ao terreno

  

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O segundo dia da Academia do Empreendedorismo incluiu atividades práticas na Escola Superior de Tecnologia do IPS, no Barreiro, uma visita à Mata da Machada e uma conversa com empreendedores.

Quando se dirigiu aos participantes da IPStartupWeek, a professora Gabriela Gomes deixou o aviso: “durante a próxima atividade, vão poder contribuir com informação relevante para a comunidade científica”. Este contributo foi realizado através da plataforma Phylo e consistiu na organização de sequências de DNA que ficam, depois, guardadas numa base de dados. No futuro, esta informação é utilizada para “encontrar funções comuns ou diferentes” na constituição genética de várias espécies, explicou a professora. 

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A atividade que se realizou num dos Laboratórios de Informática serviu para “alertar para a necessidade de ferramentas informáticas que tratem a imensidão de dados obtidos em Biologia”, salientou Gabriela Gomes.

Esta foi uma das quatro atividades que durante a manhã e início da tarde de hoje, os cinquenta participantes da Academia do Empreendedorismo puderam realizar, na Escola Superior de Tecnologia do Politécnico de Setúbal, no Barreiro. Divididos em quatro grupos, os estudantes alternaram entre atividades de bioinformática, biotecnologia, engenharia civil e tecnologias de petróleo.

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Meter, “literalmente, as mãos na massa”
No laboratório de Engenharia Civil, o desafio envolveu, destacou o docente do IPS, Pedro Neto, “colocar, literalmente, as mãos na massa”. Divididos em pequenos grupos, os participantes utilizaram cola e esparguete para construir pontes o mais resistentes possível. No final, estas construções foram testadas, sendo que foi batido o record estabelecido na edição de 2016 do IPStartupWeek: uma das pontes suportou um peso de 6,9 quilogramas.

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Este contacto com estruturas treliçadas, sublinhou Pedro Neto, teve a vantagem de envolver diversos passos do processo típico de um engenheiro civil: conceção, construção e teste. Por outro lado, acrescentou, há um componente de estímulo a competências de gestão de recursos e de tempo, bem como de criação de espírito de equipa – atributos que “são uma realidade num dia a dia de um profissional, nomeadamente nesta área”.

Noutro dos espaços da EST, num dos laboratórios da secção de engenharia química e biológica, os estudantes puderam realizar três tipos de atividades relacionadas com estas áreas: observar a variedade de população microbiana, produzir um polímero de nylon e ainda iniciar um processo de análise de DNA por eletroforese.

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Através deste contato, esclareceu a docente Marta Justino, os participantes da IPStartupWeek puderam “desmistificar algumas ideias que associam a física e a química a coisas muito complicadas” e distantes da realidade do quotidiano. “Ninguém olha para o bolor da fruta mas, quando se olha ao microscópio, torna-se uma coisa mais complexa e bonita”, reforçou.

No mesmo espaço, tempo ainda para a atividade “Há Petróleo na EST”, onde dois docentes da licenciatura em Tecnologias do Petróleo dinamizaram uma atividade centrada neste produto e seus derivados. Segundo a co-coordenadora deste curso, Fátima Serralha, um dos objetivos passou por “explicar por que razão o petróleo ainda é importante e ainda será durante bastante tempo”. Estes foram cumpridos através de uma atividade prática que envolveu o cálculo das densidades de diferentes líquidos, acompanhada de uma explicação sobre o processo de refinação.

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Numa altura em que existe uma aposta crescente em energias renováveis, o petróleo assume ainda um papel relevante na economia mundial. “Mesmo que não seja usado como combustível, o petróleo é também uma matéria prima para algumas indústrias químicas como o plástico”, ressalvou a docente.
Ainda que as tecnologias de energia renovável sejam cada vez mais eficiente, estas não conseguem ainda garantir a produção energética necessária para fazer frente aos níveis de consumo atuais. Do ponto de vista ambiental, acrescentou Fátima Serralha, tem-se investido “em formas de extração mais seguras e menos poluentes”.

Do sapal até à mata
No Centro de Educação Ambiental, foi Mauro Hilário, biólogo residente, que foi o anfitrião: “sejam bem-vindos à Mata da Machada”. Depois de uma breve apresentação desta Mata Nacional, bem como do Sapal do Rio Coina, o responsável conduziu uma visita pela mata onde foi possível “conhecer melhor a fauna, a flora e a história deste local”.

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Tanto a Mata Nacional da Machada como o Sapal do Rio Coina, realçou Mauro Hilário, são “dois locais privilegiados em termos de biodiversidade”. Sendo uma junção de dois rios – o Coina e a bacia do Tejo – este sapal alberga uma grande variedade de espécies de água doce e salgada: aves (pernilongo ou flamingo), peixes (peixe-rei ou alcorraz) e invertebrados (caranguejo verde ou choco) são alguns exemplos.

Já na Mata da Machada, os “habitantes locais” são mamíferos (como a raposa ou morcego-anão), répteis (como a cobra-rateira ou a osga), aves (águia de asa redonda ou pica-pau-grande-malhado), anfíbios (salamandra do fogo ou sapo-comum) e invertebrados (escaravelho-rinoceronte ou lacrau). 

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Durante a visita à Mata da Machada – que incluiu um piquenique à hora de jantar – os participantes tiveram a possibilidade de observar algumas destas espécies de fauna e flora locais e conhecer alguns dos projetos de sustentabilidade levados a cabo pelo Centro de Educação Ambiental da Mata Nacional da Machadae e Sapal do Coina, nomeadamente no que toca à conservação e manutenção destes espaços. 

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Conversar sobre empreendedorismo
Quais os principais desafios que se colocam a um empreendedor? Quais as principais competências que são requeridas? E quais alguns dos apoios com que se pode contar na implementação de uma ideia de negócio? Estas foram algumas das questões debatidas durante a “Conversa com Empreendedores” dinamizada em parceria com a Unidade de Apoio à Investigação e Desenvolvimento do Instituto Politécnico de Setúbal (UAID-IPS) que gere a incubadora de ideias de negócio deste instituto: a IPStartUp.

Neste momento de interação, que teve lugar depois de jantar, nas residências do IPS, os participantes da IPStartupWeek puderam conversar com dois jovens que iniciaram projetos de empreendedorismo: um diplomado da licenciatura em Engenharia Biomédica e uma estudante do Mestrado em Informática. Ambos partilharam as suas experiências na criação de projetos inovadores, com o apoio desta unidade do Politécnico de Setúbal.

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Também presente na sessão, a gestora da IPStartUp, Sandra Pinto, descreveu este momento de interação como uma oportunidade “de interagir com jovens que serão o futuro do nosso país”. “Há uma grande probabilidade de saírem daqui futuros empreendedores e, por isso, é importante falar com eles e esclarecer algumas dúvidas”, reforçou.

Numa altura em que o conceito de empreendedorismo tem uma implementação muito forte junto dos jovens, Sandra Pinto destaca a importância de esclarecer que “ser empreendedor passa muito por identificar problemas e procurar, de forma proativa, soluções – não é apenas uma questão criação de empresas”.